"Nous vivons dans une époque terrorisée par les économistes. A chaque époque sa peste." escreve, no bilhete final da revista L'Écologiste (N.º 39 Janeiro-Março 2013), Alain Hervé.
Achei muita graça a esta música, que ouvi pela primeira vez na "Play list" desta semana da TSF. Veio mesmo a calhar, pois no oitavo ano estou a "dar" "les magasins et les courses" (que associo sempre ao consumismo exagerado) e "les pronoms y et en". Lá tiveram os meninos de fazer uma lista do que a ZAZ "ne veut pas" (oh, les pauvres...)
Comprei há tempos este número especial da Sciences Humaines que posso - se me pedirem com jeitinho - emprestar. Deixo-vos a eloquente introdução:
«Selon les époques, on dit que les troubles mentaux sont l’œuvre de Dieu, du diable ou des esprits, ou encore de l’inconscient, du cerveau, des gènes ou de la société. On les prend en charge par la parole, l’enfermement, ou les neuroleptiques. Certains amusent plutôt, comme l’alcoolisme ou Alzheimer jusqu’à une date récente. D’autres suscitent l’extrême méfiance comme la schizophrénie. D’autres encore intriguent l’opinion publique et la communauté scientifique mais s’avèrent des feux de paille, telles l’hystérie ou les personnalités multiples. L’anorexie est acceptée chez les mystiques, le traumatisme est nié chez les soldats, quelques perversions sont passées dans les mœurs. On se déchire pour expliquer et soigner l’autisme, on s’inquiète de savoir si la tristesse ou la timidité ne seront pas bientôt des maladies. Les troubles mentaux ne sont décidément pas des faits médicaux comme les autres : ils intéressent la philosophie, la sociologie, et l’idée même que l’on se fait de l’être humain.»
Os franceses resolveram muito bem esta questão: socorrendo-se de uma história cuja veracidade está por atestar, inventaram o eufemismo "mot de Cambronne", isto é, a palavra que o general Pierre Cambronne terá dito ao seu homólogo britânico quando este o mandou render-se. Eu própria, que nunca digo palavrões, permito-me dizer "merda" quando quero desejar sorte a alguém que vai fazer uma apresentação oral.´"É gíria teatral", digo eu à laia de desculpa.
Apesar dos meus pruridos, ontem deliciei-me com a peça com que a TVI ilustrou, no telejornal, o carácter e a vitalidade de Oscar Niemeyer. O meu querido centro de recursos enviou-me hoje de manhã a transcrição. É assim:
«A minha arquitetura não é uma solução pra arquitetura, é a minha arquitetura. Assim como na pintura a gente tá de acordo de que não existe a pintura antiga e moderna, existe a boa e a má pintura. Na arquitetura é a mesma coisa. O ideal é cada um procurar o seu caminho e fazer o que gosta. Eu confesso a você que eu tô um pouco cansado de falar de arquitetura. Porque as coisas se repetem, a conversa é a mesma, as perguntas são as mesmas. Mais importante do que a arquitetura é estar pronto pra protestar e ir na rua, isso que é importante, é o sujeito se sentir bem, sentir que não é um merda, que ele tá ali pra ser útil...»
Quando for (mais) velha, quero ser assim: coerente e desbocada. Uma sábia.
Como vai o vosso francês? Espero que bem, pois assim poderão ler um ensaio do economista Thomas Piketty acerca do impacto do elevado número de alunos por turma no insucesso escolar, no qual se demonstra de que forma os alunos mais jovens, oriundos de classes menos favorecidas, são os mais prejudicados pela adopção desse tipo de medidas.
Vocês já sabiam? Está bem, mas a demonstração - feita por um economista que leccionou no MIT (Massachusetts Institute of technology) entre 1993 e 1995, prosseguiu uma carreira de investigação no CNRS (Centre National pour la Recherche Scientifique) e depois na École des hautes études en sciences sociales (onde ainda trabalha), e fundou a Paris School of Economics - sempre terá algum impacto.
O relatório, encomendado pelo Ministério da Educação francês e elaborado em parceria com Mathieu Valdenaire, está disponível em
Na revista Jeunes N.º 153 surgiu um texto relativo a um professor de uma Escola Secundária parisiense que decidiu lançar uma armadilha aos alunos, apresentando-lhes um poema de um autor desconhecido do século XVII, que os alunos teriam de comentar. Entretanto, semeou pistas falsas na Internet, nomeadamente na respectiva página da Wikipédia. Em concreto, inventou-lhe uma amada imaginária, Mademoiselle de Baunais.
Dos 65 alunos que tinham de fazer este exercício, 51 copiaram as passagens falsas.
Como lhes dizia há pouco, fiquei encantada com o que vi de "Rumba", um filme francês de Dominique Abel e Fiona Gordon, saído a público em 2008. A aula de Inglês pareceu-me hilariante e fez-me lembrar uma-pessoa-que-eu-cá-sei-mas-não-digo ("Répétez après moi" - mas nas aulas de francês os exercícios são muuuuuito mais fáceis...).
Faço uma pausa na correcção dos testes para inserir esta imagem nos dois blogues de Francês e, "burn out" ou não "burn out", não resisto a partilhar convosco este texto, que fui buscar a um sítio de Francês Língua estrangeira mexicano:
No dia dois de Fevereiro, os alunos de Francês do 11.º D e do 11.ºG comemoraram "La chandeleur", o dia mais associado a essa especialidade francesa que são os crepes (em francês a palavra é masculina e leva acento circunflexo no primeiro e). Em Portugal, neste "Dias das candeias", comem-se os "moletinhos", uma especialidade que se vende numa pastelaria bracarense. O que é curioso é que eu ignorava completamente este pormenor, apesar de o meu pai contar sempre - o "nome das coisas" é uma matéria fascinante - que o "pão molete", típico da região de Santa Maria da Feira, se chamava assim porque o padeiro que o fazia era um tal monsieur Molet (ou Mollet). Ora aí está como a cultura francesa e a cultura portuguesa estão inextricavelmente ligadas...
Mas voltando aos crepes: apesar de a Cláudia, a Céline e a Dina terem trazido de casa umas belas - e boas - pilhas de crepes, eles rapidamente esgotaram. Ficou toda a gente com pena, mas a culpada é uma e uma só, a professora de Francês das duas turmas que se r-e-c-u-s-o-u a deixar os alunos a fazer crepes na escola. Ele há cada um(a)... que se podiam queimar, que era perigoso, e que tinha medo, e mais isto e mais aquilo...
Passamos uma parte da nossa vida no quarto de banho, por isso nem percebo por que motivo ficam escandalizados por eu falar em quartos de banho, leituras de quarto de banho, etc. Também não tenho medo das palavras, por isso prefiro designar uma retrete pelo seu nome e não pelo mais asséptica sanita. Mas não se preocupem, que hoje vou falar-vos de coisas limpinhas: é que achei muita graça ao facto de os quartos de banho masculino e feminino dos monoblocos se distinguirem por uma imagem do Popeye e outra da Olívia Palito.
P.S. repararam que consegui escrever isto tudo sem usar o "mot de Cambronne"? E o que é o "mot de Cambronne"? Isso queriam vocês saber... vão ao google, e é se querem...
Ando há que tempos para explicar por que motivo escrevo às vezes a expressão "A importância de se..." (falar francês/praticar desporto), que me soa, a cada vez, como incorrecta.
A verdade é que a ela subjaz o título de um dos meus autores favoritos de quando era jovem, Oscar Wilde. Por detrás desta minha formulação aparentemente infeliz, à qual devia subtrair o se, está o título A importância de se chamar Ernesto - onde o se se justifica plenamente.
Ontem de manhã estava a ouvir um programa de rádio de que gosto muitíssimo, "Um certo olhar", que passa na Antena 2 entre as 10 e as 11h. Como não ouvi o início, desconheço a pergunta que o moderador, Luís Caetano, colocou aos intervenientes no debate. Julgo que o pretexto era uma exposição patente numa Biblioteca municipal. O certo é que a conversa versava sobre as coisas que pomos ou encontramos dentro de livros. Lembrei-me então desta histoire pressée de Bernard Friot:
Prudence
"Son père lui avait dit: «Un des livres de la bibliothèque est creux. En réalité, c'est une boîte déguisée. Elle contient une importance somme d'argent. En cas de besoin.»
Par pure curiosité, elle décida de chercher le livre factice. La bibliothèque était immense. Elle ouvrit les livres un à un, en commençant par les dictionnaires.
En ouvrant un vieux missel, elle trouva une image pieuse. Une feuille de laurier était coincée dans un livre de cuisine. Un morceau de tissu dépassait d'un manuel de couture. Des fleurs séchées tombèrent d'un roman d'amour. Une fourmi rouge sortit d'un guide sur les insectes. Juste à côté, il y avait une encyclopédie musicale. Un son étrange s'échappa quand elle en souleva la couverture.
Sur une étagère du haut, elle trouva un roman policier. Elle lut le titre: L'assassin dans la bibliothèque. Elle ne l'ouvrit pas."
Na semana passada fui ao café e, como de costume, abri os jornais. Fiquei espantada pelo facto de o restaurante do mosteiro recém-recuperado se chamar "Eau vive de Tibães". Eau vive, não sei porquê, faz-me lembrar nome de perfume. E por que não um nome português, no portuguesíssimo mosteiro de Tibães?
Depois, peguei numa revista luxuosa, profusamente ilustrada, intitulada Cidade 24. Rapidamente confirmei que o francês está na moda: um dos artigos referia-se a um "savoir vivre". E de que falava a dita publicação? Na verdade, de nada. Publicitava estabelecimentos comerciais, exibia vários "notáveis", promovia marcas de carros de luxo. "E andam a devastar florestas para imprimir coisas destas", pensei eu, tomando nota mental da "eau vive" e do "savoir vivre".
O pior foi no dia seguinte, quando descobri que andam - outra vez - a dizimar as árvores da minha rua. Uma rua tão bonita, que sofre ataques anuais de jardineiros que enlouquecem à hora do almoço e rapam, literalmente rapam as árvores até ao sabugo, carregam as ramagens em camiões e as levam para destino incerto. Está frio, as lareiras e salamandras precisam de alimento...
Não sei que ligação têm estas duas coisas. Talvez seja a falta das ramagens outonais que me leva a pensar que está tudo ligado, que não é por acaso que há revistas grátis a falar de festas e de lojas e de carros aonde nunca iremos e onde nunca andaremos enquanto as nossas (nossas, de todos) árvores são dizimadas. Devaneios.
Em resposta ao texto anterior, encontrei num livro de um autor francês que muito aprecio, Bernard Friot (e desconfio que há "autores" portugueses que também o apreciam muito, não me perguntem porquê...), uma história que mostra as coisas terríveis que podem acontecer a quem maltrata plantas (animais, pessoas...)
Un jeune amoureux cueillit au jardin une reine-marguerite. Il commença - c'était un amoureux bien peu original - à arracher un à un les pétales.
- Elle m'aime un peu, beaucoup...
- Mais arrêtez, ça fait mal! hurla la marguerite.
- ... à la folie, passionnément, pas du tout. Elle m'aime un peu..., continua le jeune homme.
Curiosa pelo sucesso que a peça Arte, da dramaturga Yasmina Reza, suscitou no público, nomeadamente no português (se bem se lembram, foi interpretada por António Feio, João Pedro Gomes e Miguel Guilherme, tendo percorrido o país e desaguado na televisão), comecei a ler um volume que faz parte do acervo da escola e se intitula Théâtre (incluindo "L'homme du hasard", "Conversations après un enterrement", "La traversée de l'hiver - «Art»").
Nesta fase do campeonato - isto é, da leitura - ainda não saberia dizer-vos acerca do que versa a primeira peça. Mas estou a fazer aquilo que o programa de Português de Secundário preconiza para os alunos. Eu chamar-lhe-ia "dar palpites", mas, no dizer bem mais douto dos autores do programa, estou a empreender uma "leitura exploratória do texto para determinar o seu interesse e captar o sentido global". Muito mais giro, convenhamos.
Assim sendo, "a partir de indícios vários", "antecipei" que se trata de uma peça acerca da incomunicabilidade entre homens e mulheres (não era difícil, já que a epígrafe é "Un compartiment de train. Un homme et une femme. Chacun en soi-même."), das diferenças entre as intenções dos autores e as interpretações dos seus leitores, a amizade, o amor e a morte. "Digo eu, bá."
Até ao ponto onde cheguei, as personagens monologam. O homem é bem mais amargo do que a mulher (acontece, pronto, é assim, não levem a mal, a culpa não é minha).
Transcrevo uma parte do discurso interior da personagem feminina:
«Longtemps j'ai été attirée par ceux qui n'aimaient pas le monde et souffraient en permanence.
Il me semblait que les gens désespérés étaient les seuls êtres profonds, les seuls vraiment attirants.
Au fond, si je suis honnête, je les trouvais supérieurs. Je me suis longtemps sentie de moindre intérêt, pour ne pas dire de moindre qualité, tout simplement parce que moi, j'aimais la vie.»
Ocorreu-me agora que não lhes tenho falado muito dos meus alunos de 11º (nem dos de 9º, já agora). Isto apenas acontece porque, como a língua de comunicação é o francês, os diálogos são, necessariamente, mais limitados. É normal. Costumo dizer que eles só podem falar como se tivessem três ou cinco anos de idade. A comparação é, por diversos motivos, grosseira, mas esclarecedora.
No entanto, há dias, a propósito de um trabalho que parecia ter sido feito com a ajuda do tradutor automático, uma aluna contou-me a seguinte história: uma senhora escreveu uma carta para um (a) francês/francesa, onde figurava a frase :"Estou preocupada", que o tradutor automático transcreveu como "Je suis enceinte", ou seja, "Estou grávida".
E o que é certo é que, dependendo do contexto, estar grávida pode significar estar muuuuito preocupada...
E, por falar em sugestões só para adultos, há uma notícia da semana que este blogue NÃO vai comentar... excepto para lamentar a forma como locutores e comentadores pronunciaram o nome de Courbet (até os jornalistas da Antena 2. Até o Pedro Malaquias).
Pacheco Pereira deu-se ao trabalho de recensear os tratos de polé a que esta palavra foi submetida (cf. a crónica "A bloguização da comunicação social"). Não comentemos, moralizemos: prestem atenção às aulas de francês, treinem a pronúncia... nunca se sabe quando é que vão precisar dela.