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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Música do VOSSO tempo

Achei muita graça a esta música, que ouvi pela primeira vez na "Play list" desta semana da TSF. Veio mesmo a calhar, pois no oitavo ano estou a "dar" "les magasins et les courses" (que associo sempre ao consumismo exagerado) e "les pronoms y et en". Lá tiveram os meninos de fazer uma lista do que a ZAZ "ne veut pas" (oh, les pauvres...)



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Fila para o arroz de pato

Naquele almoço de professores houve uma coisa simplesmente lamentável: uma professora que passou à frente de toda a gente na fila para o arroz de pato.
Eu estava lá, mesmo lá, e vi tudo. Foi a Isabel.
- a Isabel Leite?!
- Não...
- A Costa?
- Nããã...
- Não me digas que foi a Isabel Gonçalves!
- Também não.
- Ah, já sei: A Isabel Oliveira.
- Também não. A outra.
- Qual outra? A... não me digas! A sério?!
- A sério. Olha, estava lá o marido da Helena Balreira, que deu logo por ela.
- Ele há cada uma...
- Quem havia de dizer...
- Há pessoas capazes de tudo.
- Realmente. Uma vergonha para a escola.
- E com gente de fora: o que há-de ter pensado o marido da Helena...?!
- Deus queira que não comente com ninguém.
- Pois, ficamos todos mal.
- Gente desta deixa ficar mal a nossa classe.
- A lata dela!
- Olha que realmente... e nem por isso perdeu o apetite.
- Deve ser por isso que está engordar.
- Bem feito!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Cábulas de luxo - ou de lixo



Hoje de manhã fui surpreendida com a notícia de que candidatos a juízes teriam copiado no exame. Lembrei-me do último texto que publiquei no Portazul. Talvez não tenha sido suficientemente severa com os alunos que fazem cábulas. Pessoalmente, tentei uma vez, no décimo ano, para nunca mais.

Não queria ser moralista, mas também não queria ser tratada por médicos ou julgada por juízes que tivessem copiado nos exames. Se, no primeiro caso, pode ser a minha saúde - ou a minha vida - a ser posta em causa, no segundo questiono-me acerca dos princípios éticos destas pessoas. Copiar num exame do Centro de Estudos Judiciários?! Além de falta de ética, parece existir aqui uma sensação de impunidade muito pouco consentânea com o exercício da função. Não, não era dez que mereciam. Era a interdição de exercer tais funções.

terça-feira, 14 de junho de 2011

As cábulas, os cábulas

Não tenho (quase) nada contra cábulas. Na verdade, tenho uma bela colecção de cábulas (apenas duas confiscadas por mim), que tenciono expor quando me reformar. São extremamente engenhosas: o autor de uma delas recorre a um princípio da Física (o sistema de roldanas); há reutilização de materiais e criatividade a rodos. Com efeito, fazer uma cábula envolve duas competências: criatividade no meio e selecção e sistematização dos conteúdos, o que lhes confere um certo valor pedagógico.
Nada disso sucedia com as cábulas que vi "fazer" hoje na reprografia: três alunos de nono ano pediam à funcionária que reduzisse um texto do manual. Intervim, no meu muito activo papel de "chata de serviço", pedindo à funcionária que não tirasse aquelas fotocópias que um dos alunos apelidou "auxiliar de memória". Não tenho dúvidas de que a minha intervenção não adiantou nada; quando muito, contribuirá para baixar (ainda mais) o meu índice de popularidade. Acho graça a cábulas, mas não sou fixe.

terça-feira, 25 de maio de 2010

«A escola dá o que a família não pode dar»


Não podia deixar de compartilhar com todos os que não assistiram ao Seminário sobre literacia e Bibliotecas escolares a frase de Teresa Calçada que me serviu de título.


Pensei de imediato na declaração de princípios dos elementos da equipa que está a elaborar o Projecto Educativo da ESVV.


Pensei naquilo que levou a ser professora.


Pensei nas prelecções que, de tempos a tempos, faço a alunos que - receio - não me ouvem, não me entendem, não sabem do que estou a falar (e têm raiva de quem sabe).


Exagero? Pois com certeza. Mas também não estou completamente enganada. Muitos destes jovens, agora tão prazenteiros, amargarão os momentos de lazer que propiciam a si próprios durante as aulas, fora das aulas. Para muitos, será tarde demais. E terão a vida inteira para se arrepender...


Mas não queria ser moralista. Em Portugal - e em França mais ainda - o destino de muitos é marcado pela sua origem social. Não me alongarei, por hoje, acerca deste assunto. Mas, tal como Teresa Calçada afirmou, a escola está cá para proporcionar um "suplemento vitamínico" (as palavras são minhas). De conhecimentos, por certo; mas também de cultura, de saberes, de atitudes.


É por isso que defendo acerrimamente a qualidade da escola pública. Sem uma boa escola pública, na qual a Biblioteca Escolar desempenha um papel importantíssimo, o fosso social agravar-se-á inelutavelmente. E isso, meus caros, será o pior que nos pode acontecer como país. A todos, mesmo aos que se consideram acima de tudo e de todos.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Basta de desperdiçar comida


Já vos disse há tempos que vejo, nos tabuleiros deixados na cantina, sopas intactas, pães inteiros, peças de fruta intocadas. Pois se não queriam comer, porque não as deixaram no balcão?! Isso, em meu entender, já era suficientemente mau...


Agora, a minha informadora do dia (a D. Arminda) disse-me que há alunos com subsídio que vão comer lá fora e passam a senha a outros. Não é isto um roubo à comunidade (ou seja, a todos nós, contribuintes) que solidariamente subvenciona os mais carenciados?!


Sinceramente, não sei o que pensar, não sei o que dizer perante esta (como diria a Mafaldinha) miséria psicológica. E depois tenho de aturar todas aquelas pessoas que bramam contra medidas que eu acho muito respeitáveis, mas que, na prática e em certos casos, são aproveitadas de forma criminosa por quem não precisa realmente delas. E depois embatuco quando me dizem que TODOS os que usufruem do rendimento social de inserção fazem isto e fazem aquilo, são uns estes e uns aqueles...


A pior miséria é a psicológica.