terça-feira, 29 de março de 2011

Publicidade viral

Ontem a Ana Paula falou-me com entusiasmo do livro A máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe. Pensei: «Vou comprar. Quando puder.» Hoje a Margarida disse-me: «A Ana Paula falou-me muito bem deA máquina de fazer espanhóis. Comprei-o para a biblioteca. »

Milagres mediáticos

Decorreu no final da semana passada, na Universidade do Minho,  o Congresso Literacia, Media e Cidadania (do qual tomei conhecimento através do blogue http://projectopne.blogspot.com/). No sábado de manhã, ouvia calmamente a primeira sessão, dando graças a Santa Internet pela infinitas possibilidades que nos oferece, quando, de repente, o écrã ficou negro. Todo o dia. Fiquei triste, e à espera que coloquem a totalidade das comunicações em São Youtube (para já,  visionem http://www.youtube.com/congressolmc).

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRRXnJqDditn2r5tv9Uus66q4Wq0EjZS71X4Q7lIQzoo5WfZX9ODuhQXxQZVkJRwcV2QbntSawyLdgJI6kXW6qUVugkWZktBLqlRzcabXQBASvwEv7lnu_YJcEyzlx1E_pSUbHxCk3rVwk/s320/LogoLMC12.jpg

Como ficar indisposto em dois segundos

Hoje, às 8h20m, à entrada da ESVV, vi uma menina bonita, de cabelos longos, bem arranjada, a atirar o maço de cigarros vazio para o chão. Um maço de cigarros vazio. No chão.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Anne Sofie von Otter e Elvis Costello - Broken Bicycles - Junk



Esta cantora lírica extremamente versátil - como se pode apreciar neste dueto com Elvis Costello, extraído de um disco f-a-n-t-á-s-t-i-c-o ("For the stars") - vem amanhã cantar jazz à Casa da Música, acompanhada (e vice-versa) pelo pianista Brad Mehldau. Um timbre único, reconhecível em qualquer registo.
N.B. Mais uma vez lamento o lirismo das fotografias que acompanham a música, quanto a mim pouco adequadas ao texto que ilustram, mas enfim, «"Youtube" oblige...»

Amor e anti-consumismo, por Tom Waits





É um pouco estranho ouvir Tom Waits glosando Paul McCartney, mas a estranha materialidade da música explica-o. Por favor ignorem o carácter xaroposo do "power-point" e o "lettering" piroso, pouco apropriados a um hino anti-consumista. Concentrem-se na estrofe : «"Buy! Buy!" says the sign in the shop window / "Why? Why?" says the junk in the yard.»
N.B. E perdoem-me a falta de tempo, inspiração e paciência para substituir todos estes estrangeirismos. Ou escrevam-me sugestões. 45 minutos são 45 minutos 45 minutos são 45 minutos 45 minutos são 45 minutos 45 minutos são 45 minutos.

Um dos grandes temas da actualidade

Nada como um poema para nos obrigar a perspectivar as coisas. Ou como uma música: tal como na semana passada, a banda sonora dos meus dias é "Cuidado com as imitações"...


«Um dos grandes temas da actualidade
é sem dúvida esta panela de esmalte
cheia de peixes brancos como panos
a cozer ao lume perguntar-me-ão
mas o que é que lhe aconteceu com os peixes brancos?
e eu perguntar-vos-ei
o que é acontecer?
esses peixes brancos aconteceram-me
eu mal olhei para eles
eles nem me viram
julgam que com as pessoas de quem
eu estou sempre a falar me aconteceu
muito mais do que com esses peixes brancos?
realmente aconteceu (os peixes brancos ainda não
me feriram) mas elas devem ter-se
apercebido tanto disso como esses peixes brancos
a minha vida está cheia de
importantíssimos peixes brancos
(não são para mim, são para o meu gato)»

(Adília Lopes)

terça-feira, 22 de março de 2011

Relatório & contas

Pensaram que eu não tinha feito nada na sexta? Pensaram? Pois enganam-se. Pensei em viagens. Em bom rigor, também escrevi o texto - insuficiente, dado que a Ana Margarida Dias e a Alexandra Amador tiveram de o completar .- para a exposição "Lugares de turismo nos inícios do século XX", patente de 24 de Março a 8 de Abril na Biblioteca Municipal de Vila Verde.



«O conceito de viagem associado ao lazer é uma invenção recente. Apesar da denominação francesa (“Grand tour”), ele surge na Inglaterra de Setecentos, consistindo numa longa jornada, no decurso da qual os jovens aristocratas ingleses contactavam com a cultura clássica e conheciam outros nobres, em suma: se educavam. Com o passar do tempo, o “Grand tour” - cada vez mais t(o)urismo e cada vez menos “Grand tour” - deixou de ser feito apenas por nobres abastados, para passar a ser efectuado por cada vez mais camadas sociais. Nem todos os grandes viajantes da época se limitaram à França, à Itália ou à Grécia. Alguns, por diversas razões, incluíram Portugal no seu roteiro. Talvez os mais famosos tenham sido os ingleses William Beresford (1797-1883) e George Gordon Byron, o poeta (1788-1824). Embora tenham considerado Sintra belíssima, ambos retratam Portugal como um país atrasado e sujo, depauperado por uma elite com a mania das grandezas. José Saramago, que os leu, disseminou alguns desses considerandos em Memorial do convento. Com a construção dos grandes paquetes, e a consequente facilidade e rapidez das deslocações, Portugal (sobretudo a Madeira) passou a fazer parte das rotas internacionais. Lembremos, a esse respeito, a estada da Imperatriz da Áustria na Madeira, que deu origem ao livro A corte do Norte, de Agustina Bessa-Luís.


À semelhança de Sissi, os portugueses de finais do século XIX e início do século XX realizavam viagens com fins terapêuticos, sendo as termas e as praias os destinos mais apreciados. Menos frequentes, mas incentivadas pela publicação de guias para viajantes, são as viagens tendo por objectivo conhecer o país, a sua cultura, as suas cidades, a sua “beleza natural”, os seus habitantes, os seus costumes – as quais, a partir de dado momento, respondiam a intentos de propaganda.

A exposição que agora apresentamos é constituída por uma colecção de postais de uma família lisboeta republicana e abastada. De certa forma, é uma versão simultaneamente reduzida (porque monotemática) e ampliada (dada a quantidade de documentos) da História da vida privada. Um dos seus interesses maiores assenta nos textos, onde podemos ler as preocupações, os comentários, as anedotas e até o estilo e a ortografia de viandantes de outra época – constituindo, assim, tal como as ilustrações de locais que conhecemos, uma viagem no tempo. Apreciemos, por último, a materialidade dos postais e recortes, uns colorizados, todos amarelecidos pelo tempo, uns escritos numa caligrafia longilínea, outros impressos em caracteres tipográficas em desuso; a linguagem publicitária e o estilo coloquial de quem escreve para os amigos ou para a família; o grafismo da época, limitado às técnicas tipográficas e reprodutivas disponíveis; o uso recorrente de estrangeirismos; a originalidade dos carimbos; as tarifas praticadas…»

Cuidado com as Imitações (Sérgio Godinho)

terça-feira, 15 de março de 2011

Esta semana somos todos japoneses


Incrédula, vendo as imagens do tsunami que assolou o Japão - como nos assolou a nós no século XVIII - lembrei-me de um sítio que estou há muito tempo para vos recomendar:

http://www.museudacidade.pt/Lisboa/3D-lisboa1755/Paginas/default.aspx

A comoção que agora sentimos, sentiu-a a Europa connosco em 1755. Voltaire fez-lhe uma alusão em Candide e escreveu o poema "Poème sur le désastre de Lisbonne". Também Emmanuel Kant se lhe referiu, assim como toda a imprensa da época.

Os bobos







Estávamos muito sossegados numa aula de Francês (os alunos do 11ºD e eu), quando nos entra pela porta dentro uma revoada de bobos. Tinha sido Carnaval, ninguém levou a mal. Contaram-nos anedotas, pediram-nos para lhes contar anedotas. Misturámos português, francês e inglês, que o riso não tem nacionalidade...

Tristes e dignas/como professores pré-reformados

AS ÁRVORES

 
O autocarro que nos leva ao metro
passa por um parque no seu trajecto.
De cada lado da estrada
escolta-nos uma fila de árvores
que assistem cada dia à mesma cena:
minha filha mastigando as bolachas
eu vendo com a mesma tristeza
a minha filha a comer
na frente de estranhos, num autocarro.



Volto a cabeça e lá estão,
as árvores. Tristes e dignas
como professores pré-reformados
que hão-de calar-se com o que sabem.
Não lhes sei os nomes
nem como se chamam os passageiros
com quem viajo todos os dias.
Sei só que as árvores
me sussurram, com seus troncos
escurecidos pelo fumo:
o nosso lugar não é este.

(Ana Pérez Cañamares)





Tradução de Abino M. (blogue http://ruadaspretas.blogspot.com/2011/03/ana-perez-canamares-as-arvores.html)

sábado, 12 de março de 2011

"Esse Olhar", dos Danças ocultas



Tenho este CD dos "Danças ocultas" no carro e, quando chega esta música, arrepio-me toda. Não sei se é a letra (que aqui não se ouve, mas  é belíssima), se a respiração do fole, se a voz, mas algo me faz sentir profundamente portuguesa, sarracena também; judia, provavelmente. Não me perguntem porquê, mas sinto nela uma espiritualidade que me toca profundamente.

"Se Esta Rua Fosse Minha" dos Oquestrada (ao vivo)



É uma vergonha confessar que fiquei a conhecer os Oquestrada graças ao canal franco-alemão Arte, mas é verdade. Gostei bastante da estética do grupo e fiquei impressionada como o à-vontade com que falam francês. Multiculturalismo 'tá aqui...

"Um Contra O Outro" dos Deolinda



Vão para a rua, mas levem um livro. Nós emprestamos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

My name is Camelo, Fernando Camelo

Ontem debrucei-me na balaustrada do primeiro andar do bloco A e ia caindo. É que não estou habituada a que esta escola seja tão artística. E o que é que me ia fazendo cair? Um círculo de alunos que, de ventoinhas em riste, faziam flutuar um plástico azul, algo que deve estar entre um princípio qualquer da Física que eu ignoro e a "permonance" artística. O início do filme "Beleza americana", por exemplo. Estavam tão bonitinhos, tão compenetrados, os nossos alunos...
Hoje, à vinda da sala de vídeo, surpreendi-os a fazer um mural. Os écrãs dos computadores da sala de Directores de turma têm um fundo alegre. Os cartazes estão mais animados. O quadro da sala de professores tem pequenos apontamentos efémeros (o balcão do bar também já teve). É o Camelo, o Fernando. 

O rapaz do pijama às riscas

Hoje fui com os alunos do 7ºC (enfim, alguns) ver o filme "O rapaz do pijama às riscas". ´Mesmo tendo lido e conhecendo a história, ficámos presos ao écrã. Os textos literários, os textos filmicos, têm esse condão de nos prender a uma realidade outra e mesmo - como dizia ontem Regina Duarte (especialista em leitura, colabora da DGIDC) na Escola Secundária de Alberto Sampaio - a fazer-nos querer a todo o custo que aquele pai, cujo comportamento fora tão reprovável, consiga evitar o "castigo divino" e salvar o filho.

Multilinguismo na escola e sucesso académico (II)

A seguir à Diana, as Doutoras Maria Alfredo Moreira e Cristina Flores enquandram teoricamente o ensino do Português Língua não materna. Estava a gostar tanto... quando tive de sair para ir a uma reunião. Imperativo categórico.

Multilinguismo na escola e sucesso académico (I)

Na quarta-feira fui assistir a um seminário organizado pela equipa de Português Língua não materna. A primeira parte foi ocupada com uma apresentação dos alunos da escola que estão integrados neste grupo. Eu, e todos os presentes, ficámos fascinados com a apresentação da Diana Azevedo do 12º G, que  nos deu a conhecer as principais diferenças entre o ensino e a vivência em Portugal e na Alemanha. Pessoalmente, gostaria muito que a Diana fizesse o mesmo para colegas seus. Mas encontrei-a agora mesmo com a Arminda, a redigir um artigo onde, provavelmente, darão conta do que nessa sessão foi dito. Fico a aguardar, com expectativa.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Mulheres e humor: Marjane Satrapi

Mulheres e humor: Liza Donnelly

http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/liza_donnelly_drawing_upon_humor_for_change.html

"TED talks: os rapazes e a escola"


Esta conferência tem como objectivo reconciliar a população escolar masculina com a escola...


http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/ali_carr_chellman_gaming_to_re_engage_boys_in_learning.html

"Ted talks"

"TED ideas worth spreading" é uma organização com fins não lucrativos que congrega especialistas das áreas da Tecnologia, Entretenimento e Desing (acrónimo TED) dispostos a partilhar, em conferências de 18 minutos, uma súmula das suas ideias. Podem vê-las na Sic Radical ao Sábados às 20h15 e ao Domingo às 00h15 (lido no Expresso de 15/1/2011 e acessível no seguinte endereço: http://www.ted.com/)

terça-feira, 1 de março de 2011

"Rumba", um outro ângulo da escola



Como lhes dizia há pouco, fiquei encantada com o que vi de "Rumba", um filme francês de Dominique Abel e Fiona Gordon, saído a público em 2008. A aula de Inglês pareceu-me hilariante e fez-me lembrar uma-pessoa-que-eu-cá-sei-mas-não-digo ("Répétez après moi" - mas nas aulas de francês os exercícios são muuuuuito mais fáceis...).

Os professores também se apaixonam



Há dias vi um pedacinho (tinha de vir para a escola, "hélas") deste filme num canal por cabo francês. Tive muita pena de não ver o resto, por isso fui ao Youtube ver o que lá havia. Quis partilhar convosco a delícia destas imagens, simultaneamente ridículas e poéticas, a lembrar o Jacques Tati.

Conselho Eco-escolas

Amanhã há mais uma reunião do Eco-escolas, de cujo conselho tenho a honra de fazer parte. Parece-me, pois, apropriado colocar mais uma árvore, esta de Teixeira de Pascoaes:

UMA ÁRVORE E O SOL

Árvore minha amiga, abençoada
Alminha vegetal, com que ternura,
Abres o brando seio à luz sagrada,
Que, como um vento místico, murmura.

Logo te viste mãe; e, para a Altura,
Ergueste as mãos, alegre e alvoroçada;
E lembravas assim a Virgem Pura,
Ao sentir-se do Espírito pejada.

E o teu corpo, todo ele, era uma flor.
E perfumes de idílio e casto amor,
O céu azul doirado embriagavam…

Mas, na sua quimérica alegria,
Essa árvore feliz nem sequer via
A sombra, que seus ramos projectavam…