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sexta-feira, 1 de março de 2013

Ainda o "Ler & chonar"

O meu relato do "Ler e chonar" ficaria incompleto se não "partilhasse" a pergunta que o Paulo colocou.
 «E quem é o Paulo?», perguntarão. O Paulo é um aluno cá da escola, com ar de quem anda no 11º/12º, e que veio a umas sessões da Oficina de Escrita. É um rapaz engraçado e vivo, e há-de ter apelido, e número, e turma... mas eu não os sei.
Ora o Paulo, depois de alguns rodeios (que tinha sido uma ideia de um colega dele, que era um tanto maluco, que a experiência não  resultara, e tal, e coisa) perguntou  à Dra Elisa Lopes se seria possível aprender enquanto se dorme.
Honesta e conscienciosa, a conferente respondeu que, de momento, tal não é possível (o auditório ficou com um ar sonhador: que bom seria...), mas também já tinha demonstrado que há uma correlação entre sono e aprendizagem: se dormimos pouco, aprendemos pior.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A adaptação teatral de "Os Maias" contada pelo Sérgio Viana


No passado dia 7 de fevereiro, as turmas de humanidades (E e F) do 11º ano participaram numa visita de estudo organizada pelas disciplinas de História e Português. Iniciou-se a visita com saída da escola pelas 08:30 h em direção a Espinho para assistirmos a uma adaptação teatral do romance de Eça de Queirós, "Os Maias". Uma interpretação, que esteve a cargo da Associação Teatro Educação, bastante interessante, muito motivadora, pouco cansativa e muito divertida. Terminada a peça, seguimos em direção ao Porto, onde, antes de almoçar, pudemos fazer um pequeno passeio a pé a desde a Ribeira até à rua de Sta. Catarina (uma das principais artérias comerciais do Porto), onde se situa o Centro Comercial Via Catarina.
 Após o almoço, iniciamos a parte da tarde da visita. Uma nova caminhada estava-nos reservada. Desde a rua de Sta. Catarina até ao Palácio da Bolsa, onde nos aguardava uma guia para procedermos a uma pequena visita ao centro histórico do Porto. Pudemos então observar a zona da rua das flores (uma das principais ruas do comércio do Porto no séc. XIX), a localização de dois antigos conventos (S. Domingos e S. Francisco), a estação de S. Bento e a Igreja de S. Lourenço (dos Grilos). A visita terminou com uma belíssima vista sobre V. N. de Gaia e o rio Douro.

 

Sérgio Viana, 11ºF

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A Ana Matilde no "Público"

«O festival Correntes d’Escritas anunciou também esta manhã outros prémios que actualmente integram o palmarés do evento. Dos 103 trabalhos enviados a concurso para o Prémio Papelaria Locus, destinado a jovens poetas, foi distinguido Inexistência Mental, de Ana Matilde da Silva Gomes. »

Para ler a notícia completa, clicar aqui.

A obra premiada nas "Correntes d'Escritas"


INEXISTÊNCIA MENTAL
 
(Ana Matilde da Silva Gomes)

 

Hoje os meus dentes querem estar à mostra,
Misturar-se com o branco alheio.
Passamos tanto tempo a entrelaçar linhas
E a procurar sentidos atrás da bruma,
Que ver para lá do emaranhado
Sabe a café. (Com espuma).

 
Hoje não quero ter testa!
(o que está atrás dela costuma limitar tudo o que penso que sou)
E é tão mais fácil
Ir
Sem saber onde ponho os pés…
Não quero procurar justificação.
Estou tão bem, aqui, longe,
(Ligeiramente acima dos lugares do costume).
E o ar cheira-me às ruelas velhas e estreitas,
Encolhidas entre os prédios abandonados à humidade do dia inteiro.
Cheira-me à sombra, quase que ao mar, e ao sol frio de janeiro.
E este cheiro é ótimo porque não me lembra
Rigorosamente
Nada. (ou talvez o tempo em que não havia nada além de mim).
E cheira a comida! (Sagrada hora de almoço...
E nem foi precisa a prece!)
Nunca entendi porque é que há horas para comer,
Se o corpo trata dos outros assuntos à hora que bem lhe apetece…


A forma como as pessoas são sérias
Hoje, faz-me rir.
As gentes são tão seguras!
Tão convictas das suas conclusões…
Se eu não fosse pessoa,
Não saberia porque é que esta roda com números
Tem um ponteiro impaciente.
Diz-me que estou aqui há dezassete minutos.
Mas eu estou na mesma!
E as ruas ainda lá estão!
E ainda é hoje! (portanto, não quero pensar demais)
Mas se não me aconteceu nada,
Nada passou aqui, então.
Se não há tempo na inexistência,
Então o tempo é uma invenção.

As "Correntes d'Escritas" e nós

Recebemos uma notícia fantástica, que deixou algumas de nós com os olhos brilhantes: uma aluna nossa (mais concretamente, uma aluna da Maria José Carvalho) ganhou o prémio literário Correntes d'Escritas/Livraria Locus, destinado a jovens poetas. O engraçado é que tínhamos incluído esse regulamento no teste de avaliação de Português de 10º ano...

Engraçado também foi verificar que na última sessão do Sindicato de Poesia - de que eu sou indefectível - foi lido A Terceira Miséria, o livro com que a escritora Hélia Correia venceu o prémio literário Correntes d'Escritas. Ou seja: desta vez, posso afiançar-vos que se trata de uma obra intemporal - embora particularmente premente nos tempos que correm.  

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Um escritor apresenta-se... à ESVV


Os textos que se seguem são da responsabilidade da Zézin... da professora Maria José Ribeiro e dos seus alunos:

 

«Ele há muita curiosidade no ar!

O nome é estranho… Richard (nem tanto), mas Zimler…

Que faz ele aqui, um escritor “estrangeiro”? Que terá ele para nos dizer, a nós que nem sempre lidamos tão bem como gostaríamos com a língua inglesa??

Bem, mas ele senta-se. Pousa na mesa o chapéu… de abas largas (se não fosse verde, quase que nos faria lembrar Pessoa!). E começa a falar…em português! Apenas um pequeno e gracioso sotaque, mas fala bem e, pasme-se, entende-se! Fala e deixa falar, questionar. Responde. Interpela. Apresenta as suas obras, “como filhos adolescentes”, a quem “deixa voar” e ganhar vida própria! E bebe, bebe muita água. Está constipado, mas mesmo assim, entre nós. Entre nós, lusitanos, há vinte e três anos!

Perguntamo-nos, e perguntamos-lhe: porquê Portugal, porquê o Porto, porquê um país pequeno, porquê a nossa história?

E ouvimos a resposta mais improvável …( “E ouve um silêncio múrmuro consigo:”) – é o amor ao país, à língua, às gentes!

Zimler é mais, muito mais do que se poderia esperar – é alguém que está aí para nos ajudar a construir “um novo império”, o da divulgação da nossa língua e da nossa cultura. É mais um português universal. Mj

 


Depoimentos:

“Richard Zimler é o nome do escritor que nos visitou e se apresentou. Apresentou também, entre outros, o livro Ilha Teresa, o qual despertou grande interesse e motivou os alunos para a sua leitura, porque relata a sua experiência de imigrante “ao contrário”.

Admiramos a coragem perante os obstáculos encontrados na sua vida. Achamo-lo bastante espontâneo e divertido. Um escritor sem preconceitos. Um escritor que procurou descobrir a história do nosso país.

 

O 12.º G, Curso Técnico Profissional de Apoio Psicossocial, agradece a sua presença na escola ESVV” (texto sujeito a alterações)


 

Original e único:

"A exposição de Richard Zimler sobre as suas obras acabou por ser uma experiência marcante do ponto de vista cultural, já que o autor teve o cuidado e a atenção de apresentar sucintamente as experiências que o levaram a escrever as suas obras brilhantes.

Richard Zimler conseguiu transportar os interlocutores para o seu mundo, para os problemas da sociedade e permitiu um recuo exemplar na História, levando a plateia até ao clima da Segunda Guerra Mundial, algo que para nós, alunos de humanidades, é genial.

A genialidade do autor cativou, de modo geral, os alunos que conseguiram ficar a perceber um pouco mais a forma como este escritor executa as suas obras.

Concluindo, a exposição de Zimler serviu para expandir os horizontes das mentes daqueles que o escutaram. Agradecemos à biblioteca escolar e à direção da ESVV por nos ter proporcionado este momento."

Sérgio Neto, 12.º F

 

 
 

 

 
 


 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Como combater as profecias auto-realizáveis

Ainda mal tinha chegado a esta escola de alunos mais velhos do que ela, e já a P. C. dava um exemplo de organização: sem que ninguém lhe tivesse dito nada, imprimiu os conteúdos do teste, deixou espaço para exemplos e ainda se ofereceu para dar cópias aos colegas.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Multilinguismo na escola e sucesso académico (I)

Na quarta-feira fui assistir a um seminário organizado pela equipa de Português Língua não materna. A primeira parte foi ocupada com uma apresentação dos alunos da escola que estão integrados neste grupo. Eu, e todos os presentes, ficámos fascinados com a apresentação da Diana Azevedo do 12º G, que  nos deu a conhecer as principais diferenças entre o ensino e a vivência em Portugal e na Alemanha. Pessoalmente, gostaria muito que a Diana fizesse o mesmo para colegas seus. Mas encontrei-a agora mesmo com a Arminda, a redigir um artigo onde, provavelmente, darão conta do que nessa sessão foi dito. Fico a aguardar, com expectativa.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Caixa de sugestões

O Rodrigo sugere que se ponham coberturas entre o bloco B e os monoblocos. A única preocupação é: será que vamos encontrar o número nas Páginas amarelas?!!! Não sei. É questão de tentar.

O sétimo C

Hoje estão aqui os alunos do 7ºC. Todos? nããão. O André e o Fábio estão doentes. Desejamos-lhes as melhoras. Eu, o David e o R.... o Pedro (não usa óculos, é o Pedro). Embora esteja um tempo péssimo (o Pedro diz que é melhor telefonar ao S. Pedro), está toda a gente a portar-se bem. A Biblioteca é um sítio muito agradável para estar nestes dias. Não achas, Rodrigo? (ele disse que sim.).

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ir para a disco com GPS

Os meus alunos de vez em quando têm umas saídas fantásticas: hoje o David disse-me que eu tinha de arranjar um GPS para o meu livro (que perco de 5 em 5 minutos). Mal ele sabe que eu devia arranjar vários: mais um para os óculos escuros, outro para as chaves, um quarto para as esferográficas e um quinto para o telefone… E se eu os perdesse também?!
Ontem foi a Dina: estávamos na sala C1 e a luz, como já vem sendo habitual, faltou meia dúzia de vezes (eu sei, eu sei que a Direcção já cá chamou o electricista várias vezes, que o bloco C vem abaixo, justamente, porque a qualidade construtiva é má, etc. – cá para mim, era um caso para o Super-Abílio, mas que sei eu…?). E a Dina, sempre muito caladinha, sai-se com esta: «Até parece que estamos numa disco.». Olhem que realmente…
(Escrito em formato Word no dia 14 de Outubro de 2010, às 11h00)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Maqueta da escola

Um grupo de alunos do 12º A, Alexandre Gomes, André Soares, Dário Cunha, Luís Cruz e Mário Correia fizeram uma maqueta do novo projecto da escola que colocaram aqui na Biblioteca. Por casualidade, assisti à apresentação dos alunos e achei graça à narração dos desaires por que passaram, nomeadamente no que diz respeito ao transporte, que ofereceu dificuldades e danificou uma (pequena) parte do trabalho. Embora falte um ou outro pormenor (as passagens entre blocos serão protegidas), a maqueta está fiel ao projecto.

Assim, convida-se toda a comunidade escolar - que, aliás, teve oportunidade de se pronunciar ainda em fase de ante-projecto para apresentar sugestões - a vir agora visualizar o futuro da nossa escola. Acredito que a arquitectura, tal como o urbanismo, influi positiva ou negativamente na nossa vida. Neste caso, creio que que terá uma influência MUITO positiva.
P.S. Eu é que já estou quase há uma semana à espera que os alunos me mandem as fotografias...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A nossa escola I

Os alunos de Francês dos 10º E e G (sobretudo estes últimos) não gostam lá muito de gramática: "Oh, Madame, grammaire...?! (enfim, o mais das vezes: «Mais gramática?!! Não gosto nada de gramática...»).

Apesar da sua aversão à gramática (a "basezinha"), são alunos bastante expeditos e já vi muitos deles participar em actividades extra-curriculares com gosto e com brio: nas comemorações do centenário da República, nas danças quinhentistas, na feira medieval...

Foram justamente estes alunos que se lembraram de organizar na manhã do dia 18 uma degustação de produtos franceses (ou de inspiração francesa). Trataram de tudo, alguns trouxeram coisas de casa ou dispenderam o seu próprio dinheiro para que não faltasse nada. A receita reverterá integralmente para o projecto de solidariedade social do 10ºG, "Vamos adoptar um(a) avô/avó), dinamizado pela professora Fernanda Barbosa.

Por último, agradecemos à Pastelaria Cristo Rei (Grupo Jolima) pela sua generosa contribuição. As famílias carenciadas do conselho agradecem, nós agradecemos. Eu, por mim, não como bolo em Vila Verde que não venha de lá...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Me encantan los Mescla

Hoje consultei o site da escola com mais tempo do que o habitual (não tive reuniões...) e deparei com um blogue que - e não exagero - me encantou. Lamento não ter falado dele há mais tempo e aproveito para me retractar acerca de um texto que escrevi esta semana. Com efeito, o associativismo (embora estejamos a falar de um grupo diminuto) "mexe" nesta escola. Eu é que andava demasiado ocupada...

Que me desculpem os "Mescla". E que continuem a fazer escola.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Marley e eu"

Estava eu muito sossegadinha no meu aquário, quando vejo entrar uma turma de nono ano. «Mau, mau...», pensei eu com os meus preconceituosos botões. «Lá se vai o sossego.»
Engano meu. Eles, o professor Joaquim Oliveira, a D. Lúcia e eu estivemos a ouvir atentamente o primeiro capítulo do livro Marley e eu, lido pela professora Isabel Pinheiro e pela Filipa Fernandes do 12ºL (muito bem acompanhada pelo Marcelo Barros).
Um momento de tranquilidade que me soube mesmo bem. Amanhã continuamos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sexo, afectos & escola

«Eu não sou nada puritano», clamava um colega nosso, especado a meio das escadas do Bloco A. «Eu não sou nada puritano», repetiu, «mas aqueles meninos não deviam estar ali assim.» O assim era um casalinho, na bissectriz do pavilhão, muito coladinho e aos beijinhos. Já leram a banda desenhada da série Zits? "Richandamys", if you know what I mean...

Descemos as escadas a rir. O colega, o tal que não é puritano, é muito simpático e tem graça. E tinha também muita razão. Comentámos que, de facto, não deviam estar ali. O Carlos Drummond de Andrade dizia (noutras circunstâncias, por certo; e pudicamente resguardado por parêntesis) que "(O que se passa na cama / é segredo de quem ama)".

Curiosamente, como eu e a minha amiga somos Directoras de turma, já tínhamos abordado essa temática a propósito de uma circular relativa à implementação da Educação Sexual no Ensino Secundário. Defendia a minha colega que, a seu ver, os jovens não tomam precauções (leia-se: não usam sistematicamente preservativos) porque não assumem o desejo.

As raparigas, em particular, receariam ser consideradas levianas por abordarem essa questão ou tomarem iniciativas a ela conducentes. O resultado é do estilo bem "pior a emenda do que o soneto", ou seja, gravidezes indesejadas, doenças sexualmente transmitidas, uso e abuso da pílula do dia seguinte e ansiedades várias. Resolvemos ir consultar (informalmente) a professora Beatriz Santos, uma das três professoras da equipa PES (Equipa de Promoção e Educação para a Saúde), e esta aludiu a uma questão (muitas outras haverá, certamente) que não nos tinha ocorrido: o preço dos métodos contraceptivos.

Numa altura em que professores e alunos preparam as reuniões de conselho de turma, talvez seja boa ideia abordar essas questões numa perspectiva informada, consciente, assumida e, sobretudo, serena.

O romantismo é bom e nós gostamos, mas, se estiver na hora de tomar decisões, sejam pragmáticos. Quanto aos beijinhos, o exibicionismo é sempre de desconfiar...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dia Mundial da Alimentação





Com tanta moralina, já me esquecia das nossas "boas práticas".
Na sexta-feira cheguei ao Bloco A e deparei com duas mesas cheias de bolos apetitosos (todos eles confeccionados com frutos frescos ou secos), chás de ervas e maçãs. Abasteci-me logo, e fiquei a admirar o à-vontade das alunas que participaram neste projecto. Além da Alzira Dias (que já conheço porque é uma assídua frequentadora da Biblioteca), também as outras meninas demonstraram uma atitude... deixem-me dizer isto... assertiva. Ainda gostei mais do que dos bolos.


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Planeta banda desenhada

O meu aluno Vohel surpreendeu-me com os seus conhecimentos sobre manga, banda desenhada de origem nipónica acerca da qual eu praticamente só sei o que li em O Japão é um lugar estranho (Peter Carey), livro que será hoje apresentado à Comunidade de leitores da Velha-a-Branca pelo seu tradutor, Carlos Vaz Marques.



O Vohel trouxe-me dois livros: Naruto, de Masashi Kishimoto, e Hunter, de Yoshihiro Togashi. Muito avisadamente, explicou-me como devia abrir e ler o livro. Para lhe retribuir a gentileza, pedi à professora Ana Margarida Dias para colocar aqui os sites de dois autores de BD belga de referência, Benoît Peeters e François Schuiten:
La fièvre d'Urbicande, cuja versão francesa pode ser requisitada na Biblioteca.
Vejam também

e

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Morte na Biblioteca (II)


O Pedro Santos do 10º I apresentou oralmente um livro de R.L. Stine que se intitula Terror na Biblioteca. Ele gostou muito, o que é sempre uma boa recomendação.
Eu, pelo meu lado, diverti-me "imenso" com algumas passagens. E está visto que, ao contrário do senhor Mortman, o bibliotecário, não obrigo os meus alunos a ler apenas «clássicos».
Devo dizer que, apesar de ter lido uma parte do livro na diagonal, ele tem aspectos muito interessantes: por exemplo o programa de leitura em que os pais de Lucy a escreveram. Mas algo me diz que o Pedro o escolheu por outros motivos: "O senhor Mortman continuou a cantarolar, mesmo enquanto a sua cabeça inchava e palpitava por cima dos seus ombros e os seus olhos saíam como que em cima de hastes, espetados para cima como antenas de insectos.E então a sua gande boca começou a retorcer-se e a crescer. Estava completamente aberta, como um enorme buraco negro na gigantesca cabeça que emergira subitamente." Mas o melhor de tudo é o final, que o Pedro me contou. Não conseguirão arrancar-mo, nem que já vos estejam a nascer presas!

Caros utentes da Biblioteca da Escola Secundária de Vila Verde: o relato acima transcrito é pura ficção. Todas as personagens e acontecimentos são inventadas. As câmaras de vigilância jamais detectaram qualquer movimento suspeito após o fecho da Biblioteca - e nós aqui só bebemos chá e comemos bolachinhas.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Bisbilhotices

Ia eu a sair de uma aula, quando ouvi uma aluna a dizer para outras duas: "Gostei tanto daquele poema!..." Eu já disse (mais concretamente: escrevi) neste blog que muitos dos meus princípios se esbatem quando se trata de livros ou de leitura.
Por isso, desci as escadas a correr e fui falar com elas (ora, falar com desconhecido(a)s também não faz parte dos meus hábitos). Perguntei à aluna que poema a maravilhara e como se chamava. A Eduarda Gomes do 10º B "adorou" (como eu, aliás) o poema "Porque" de Sophia de Mello Breyner Andresen:
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.