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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Um poeta (de Cervães) homanageia outro poeta




(Fotografia: António Sabler in http://duas-ou-tres.blogspot.pt/)


O PINA


«São várias as tribos que habitam a cidade. Entre elas há uma, talvez a mais insignificante de todas, constituída por poetas para quem poesia e salvação do mundo são uma e a mesma coisa.


Com a morte do Eugénio de Andrade, e sem se dar conta, o Pina passou a liderar essa tribo. Ele é em muitos aspectos a antítese do Eugénio: não estou a ver nenhum jovem poeta cheio de borbulhas a tocar à campainha do n.º 119 da Rua de S. João Bosco. O Pina é um judeu zen, de uma docilidade extrema. Um sportinguista apaixonado pela teoria das cordas.

Foi a experiência da poesia que nos aproximou. Passaram muitos anos, desde que nos conhecemos a uma mesa do Piolho: encontros em outros cafés, em casa, telefonemas quilométricos depois do jantar. A poesia continuou sempre presente: às vezes apenas num verso e ultimamente cada vez mais no silêncio.»



Jorge Sousa Braga

(texto publicado no Jornal de Letras, num número de homenagem a Manuel António Pina)



quarta-feira, 23 de maio de 2012

São laranjas, senhor

 



Esta escola tem coisas muito boas. Muitas. Hoje vou falar-vos de uma delas, apenas uma.

Há anos que a Maria José Ribeiro nos traz miminhos: bolos, biscoitos, compotas, chás, nozes, plantas variadas, variantes locais de frutos exóticos. De vez em quando chegamos e temos uma mesa posta, à volta da qual conversamos, petiscamos, somos amigos, somos escola.


Este ano, em que a crise mais se fez sentir, a Manuela Maia e a Graça Balreira começaram a trazer laranjas. E tem havido laranjas todas as segundas-feiras. Na semana passada encontrei a Manuela e agradeci-lhe mais uma vez. Para minha surpresa, disse-me que as laranjas dela tinham acabado há muito. Fiquei mais atenta, e, na segunda-feira, vi o Amarílio Barbosa entrar, muito sorrateiro, com duas sacadas de laranjas e limões, que pôs no prato grande da sala de professores.


É tão bom, sobretudo para nós, que de terra só temos a dos vasos da varanda e a que levamos nas solas dos sapatos, poder levar "coisas de casa"... pormenores (?) que fazem desta escola a nossa casa.

 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Bons auspícios

O ano começa bem para o Departamento de Línguas da ESVV.
Já leram (os que leram) que estou desolada pelo facto de o programa "Um certo olhar", da Antena 2, ter terminado em Dezembro.
Dia vinte e seis, porque era dia vinte e seis, não ouvi o programa. Descobri agora que tinha havido uma última emissão, e que Luís Caetano, em vez de uma alocução final, leu um excerto da tese de mestrado da nossa colega Ana Paula Faria de Matos, intitulada «Um certo olhar: polifonia e modalização na tertúlia radiofónica» (publicada em linha). Que o-r-g-u-l-h-o!

Para ouvir em

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O acordo ortográfico e nós




No dia quatro de Dezembro, por iniciativa da Rede das Bibliotecas Escolares do concelho e o apoio da Biblioteca Pública de Vila Verde, realizou-se uma sessão acerca do acordo ortográfico. O enquadramento histórico foi feito por Custódio Braga, coordenador do departamento de línguas da Escola Secundária de Vila Verde (ESVV). Os princípios que lhe subjazem foram apresentados por Ana Paula Faria Matos (professora de Português da ESVV) e a parte prática foi demonstrada por Odete Duarte (professora de Português na Escola EB 2,3 Amaro Arantes, e também ex-professora desta escola).

A sessão correu optimamente, com palestrantes muito diferentes mas igualmente eficazes. Igualmente diferentes eram os participantes, porque vi lá, para além de professores de Português e bibliotecários da rede de bibliotecas, professores de Matemática, de Geografia e de Físico-Química da nossa escola (podia haver mais "infiltrados", mas não os conhecia). Pareceu-me um excelente sinal, esse interesse que ultrapassou as barreiras de um Sábado de manhã frio e enevoado. Coisas que se fazem ou a que se assistem, não pelo creditozinho, mas pelo seu interesse intrínseco, e pelo interesse pedagógico estrito (no caso dos professores de Português) ou alargado (outros professores).


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Músicas contra o esquecimento

Na exposição "Retratos de família", patente de 7 de Setembro a 2 de Outubro de 2009 na Biblioteca Municipal Prof. Machado Vilela, podem ver-se vinte e três fotografias de famílias de Vila Verde. Já havíamos falado de parte destes retratos, então expostos no Museu da Imagem, em Braga. Mas "o bom filho à casa torna", e agora podem ver o "núcleo vilaverdense" da Photo Aliança in loco.
Esta exposição, onde podemos admirar os vilaverdenses tal como se apresentavam noutros tempos ("su buena gente, su dignidad", cantava Roberto Goyeneche, acompanhado pelo bandoneon de Astor Piazzolla), resulta da colaboração do Museu da Imagem (dirigido por um ex-professor desta Escola, Rui Prata) e da Câmara Municipal (presidida pelo também ex-professor e ex-Presidente da Escola, António Vilela).
Muito curioso é o apelo lançado à população no sentido de constituir um Repositório de Memória Colectiva, formado não apenas por objectos ou documentos, mas também pelas histórias de vida dos vilaverdenses. A memória é, tal como o tango - agora classificado, pela Unesco, como Património intangível da Humanidade -, o que faz de nós o que somos.
Em vez de renegar o passado, devemos aceitá-lo, compreendê-lo e, até, perscrutá-lo para melhor nos conhecermos. Tal como na letra de uma das minhas músicas preferidas de Astor Piazzolla, "Vuelvo al sur", regressamos sempre - às raízes...
Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo,
con mi temor.



quarta-feira, 20 de maio de 2009

Os meninos da rádio

A minha "cusquice" dirigida levou-me a indagar quem eram os elementos da Rádio S-cool (que nome tão "cool"!), como se chamavam e de onde vinham.
O professor responsável é o José Cruz, o aluno é o Ricardo Peixoto do 12º D. Ainda do 12ºD, integram a equipa o Tiago Cunha, o Hélder Fernandes, o Ricardo Barros e o Rui Martins. Do 12º E, o André Silva. Do 11º D, o Bruno Fernandes. As "divas" do décimo ano são a Filipa Vitoriano e a Bárbara Alexandra (só duas? estou a ver que temos de instaurar um sistema de quotas... mau, mau...)
Parafraseando um bom filme sobre rádio (e também sobre a guerra do Vietname):

«Gooood mooooooorning, Vila Verde!!!»

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Parabéns

A professora Maria do Rosário de Educação Física (ou seja: a nossa "Xali") teve um bebé, a Leonor. Para não vir para aqui transcrever as estafadas (mas belíssimas) Leonores de Camões e de Rómulo de Carvalho, fui abrir "a" Adélia Prado e consegui encontrar um poema que fala de meninas, de anjos e de Maio:
VEROSSIMIL
Antigamente, em maio, eu virava anjo.
A mãe me punha o vestido, as asas,
me encalcava a coroa na cabeça e encomendava:
'Canta alto, espevita as palavras bem'.
Eu levantava vôo rua acima.

Xali: mesmo que não vistas a Leonor de anjinho, esperamos que levite. Já sabemos que, para ti, ela tem asas. E agora, também os nossos beijos.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Jorge Macedo, sê um anjo - e actualiza-nos o "blog"...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ajudai-nos, senhor, que não conseguimos ler

Há muito tempo que li o livro O Deus das pequenas coisas, da escritora Arundhati Roy. A impressão geral que me ficou é positiva, e recomendo-o, embora já não o recorde com precisão - daí que o queira reler. Reler é um dos maiores prazeres da minha vida...
Vem esta introdução a (des)propósito de um dos deuses das pequenas coisas cá na escola, o professor Jorge Macedo, a quem ando, de há algum tempo a esta parte, a suplicar que ponha este blog "au point". Eu explico: nós escrevemos a maioria dos textos aqui na Biblioteca e visionamo-los. Porém, se entrarmos no "blog" por outra via, deparamos com textos atrasadíssimos. Neste momento, por exemplo, se tentarem aceder, na escola, ao portazul, só visualizam os textos escritos até ao final do segundo período. Já nos nossos computadores pessoais, em casa, lemos o "blog" actualizado. Mistérios da fé...
Por isso vos suplicamos, ó Jorge Macedo, que actualizeis este "blog", para que os seus fervorosos (?) seguidores (??) o possam seguir a partir do local de culto (a escola). E abençoado sejais se atenderdes às nossas súplicas.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Boas práticas

O professor Aquiles Loureiro tomou uma iniciativa (eu bem sei que não é a primeira vez que ele faz isto, mas é a primeira desde que há blog...) e ofereceu à Biblioteca a colecção de literatura juvenil editada há tempos pelo Público.
Uma colecção muito respeitável, aliás, com títulos incontornáveis, pelo menos para a geração dos vossos professores, que os leram com emoção.

Livros importantes a vários níveis: sabiam, por exemplo, que A Cabana do pai Tomás teve um papel importante na abolição da escravatura nos Estados Unidos? Que uma personagem importantíssima de O conde de Monte Cristo é portuguesa? Que Os três mosqueteiros, afinal, eram quatro? Que Jules Verne (20 000 léguas submarinas, Viagem ao Centro da terra, A volta ao mundo em 80 dias, Cinco semanas em balão) descreveu e antecipou muitos fenómenos naturais praticamente sem sair de sua casa?

Lágrimas (Edmundo de Amicis e Harriet Stowe), aventura (Alexandre Dumas, Jules Verne, Jonathan Swift, Mark Twain, Emilio Salgari, Robert Stevenson, Jack London), mistério (Conan Doyle, Gaston Leroux), antecipação (Jules Verne e H.G. Wells), fantasia (J.M. Barrie, Frank Baum), riso (Mark Twain), esta colecção tem de tudo.

Mas não posso deixar de destacar três ou quatro, que foram e são importantíssimos na história da literatura: Moby Dick, de Herman Melville, As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, Robinson Crusoe, de Daniel Defoe e A Ilha do tesouro, de Robert L. Stevenson.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Universo deslumbrante


Os vossos professores são verdadeiros "icebergs", no sentido em que têm uma carapaça, que vocês vêem todos os dias, e uma face oculta, às vezes insuspeita, que faz deles seres humanos únicos e irrepetíveis. Pois estava eu aqui na Biblioteca, preparando-me para, como gosto de dizer, "dar de comer ao blog" (outros dão de comer ao cão), quando fui irresistivelmente atraída para a nossa ala norte, onde o professor Luís Castro ia fazer uma palestra. Eu bem sei que não era destinada a professores e que, ainda por cima, o blog estava à minha espera, mas, como diria o Oscar Wilde, resisto a tudo menos a uma boa tentação. E assim foi: assisti a uma exposição interessantíssima que me deixou na expectativa de saber mais sobre as maravilhas do universo - e dos cálculos dos homens para o compreender. Por imperativos pessoais, saí antes do fim. Mas fiquei cheia de inveja dos alunos do 11ºJ, que ficaram a saber mais do que eu...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Saturno em Cervães

O poeta Jorge de Sousa Braga é de Cervães. Ando cheia de vontade de partilhar convosco alguns dos seus poemas - embora muitos não possam ser transcritos aqui, porque corro o sério risco de ser destituída deste meu cargo de escriba sentada.
Só para verem o estilo, o primeiro livro que tive chamava-se De manhã vamos todos acordar com uma pérola no (piiiiiii). Lembro-me perfeitamente de ter corado como uma papoila quando o fui pagar ao balcão.
De outra vez, numa sessão do Sindicato da Poesia em que os assistentes também tinham de ler poemas, calhou-me um com uma palavra que eu nunca tinha dito (pelo menos em voz alta. Em voz baixa, a conduzir, no segredo do meu carro, já não garanto). Chamava-se... Não me lembro como se chamava.
Hoje vou deixar-vos um poema muito inofensivo e muito belo, um poema curto, um...
POEMA DE AMOR
Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o receio de que não
te coubesse no dedo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Eu não disse?

Família de Paulo Nogueira
Prado - Vila Verde

Se houvesse um concurso para eleger a frase mais irritante, "Eu não disse?" ("Eu não te/vos disse?") obteria seguramente um bom lugar. Mesmo assim, faço questão de iniciar este texto com essa frase, tão vilipendiada quanto frequente, dado que fui ver a exposição do Museu da Imagem e lá estavam, preto no branco, inúmeras famílias desta zona.

Vejam esta listagem de fotografias que medeiam entre 1910 e 1960 e depois digam-me se não vale a pena ir lá no Sábado. A entrada é gratuita, o interesse é garantido.


Duas Igrejas - Família de Joaquim Pereira

Lage - Famílias de António Maria de Castro e de Francisco de Castro

Mós - Família de Manuel Joaquim Alves

Moure - Família de Maria da Glória Lopes

Prado - Famílias de Paulo Nogueira, José Lopes Teixeira, Manuel Barbosa Lima, António Fernandes Cerqueira, António Joaquim Alves, José Carlos Oliveira e Manuel Gonçalves Faria

Sande - Família de José Maria Ferraz

S. Mamede de Escariz -Família de António Luís Dias

Vila Verde - Famílias de Manuel Roriz, Joaquim da Silva, José Joaquim Loureiro, Padre João António Azevedo e José Luciano de Sousa

O que eu não disse, mas devia ter dito, é que o Director do Museu da Imagem, Rui Prata, foi professor na nossa escola. Em suma, é Prata "da casa"...

P.S. Vilipendiada é apenas uma maneira "chique" (como dizem os meus alunos) de dizer desvalorizada ou pouco considerada...