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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A Custódia, a Laurentina, o Luís e o Manuel

Na penúltima Comunidade de leitores, em que se debateu a novela E se for rapariga chama-se Custódia, de Luís de Sttau Monteiro, a Laurentina leu-nos o seguinte texto. Estava há muito prometido que, "com a devida vénia", o publicaria aqui. Ei-lo, então:

«Sinopse

Que circunstâncias levam dois homens a revelarem o que de mais íntimo têm em si, que circunstâncias determinam que dois homens procurem ultrapassar os seus medos, procurarem libertar-se da solidão que os oprime...?

O Mais Velho e o Mais Novo são dois homens que, numa noite na prisão revivem memórias num diálogo acompanhado pela noite e pela solidão.

Comentário:

 “A derrota, pensou o mais novo, seria aceitável se deixasse um homem sem futuro – o futuro constrói-se, falseia-se – mas deixa um homem sem passado.”

Falecido em 1993 com sessenta e sete anos e tendo sido perseguido pela censura da ditadura salazarista, Sttau Monteiro escreveu pouco. Foi essencialmente dramaturgo, tendo como obra-prima essa magnífica peça de teatro, Felizmente Há Luar. No que respeita à prosa de ficção escreveu e publicou apenas quatro obras, sendo uma delas, de 1966, este E Se For Rapariga Chama-se Custódia.

Trata-se de um relato impressionante de uma conversa entre dois homens, na prisão. Um diálogo que é confissão, desabafo, libertação.

É na prisão que estes homens encontram a paz suficiente para pensar e conversar; no campo o trabalho não lhes deixa tempo para tais devaneios. Mas aqui, entre quatro paredes, o pensamento acarreta a solidão; é por isso que a noite cai sobre eles.

O tom poético da escrita de Sttau Monteiro é encantador para quem lê e reforça o ambiente de doce solidão que os envolve. Porque só nessa solidão podem vir ao de cima os sentimentos.

O quadro é sóbrio e cheio de intensidade dramática; é uma espécie de microcosmos desse universo fascista castrador, aterrorizador, numa realidade de opressão escondida, velada, sofrida na sombra. É neste quadro sombrio e ao mesmo tempo poético que vai emergindo um amor, primeiro nebuloso depois triunfal por Custódia.

A prosa de Sttau Monteiro é também expressão de um profundo humanismo na forma como os homens confessam as suas fraquezas e limitações.

E o valor da solidariedade: Um homem não vive só como um chaparro velho num montado: basta-lhe estender a mão.

Custódia é muito mais que memória; é sonho, futuro e… liberdade. Mas é também memória; uma memória avassaladora, por vezes doentia, perante a qual o discurso de desabafo do “mais velho” funciona como uma catarse e, ao mesmo, redenção de um passado doloroso. No entanto, nas memórias do mais velho mistura-se a dor com a esperança. E há-de ser com esperança que o livro há-de terminar, porque como escrevera Manuel Alegre um ano antes, Mesmo na noite mais triste / em tempo de servidão / há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não.»

In: http://aminhaestante.blogspot.pt/2013/09/e-se-for-rapariga-chama-se-custodia.html

sábado, 21 de setembro de 2013

Dorcas Gustine

As pessoas da vila não gostavam de mim,
porque eu dizia sempre o que pensava
e também porque atingia abertamente, com protestos,
aqueles que me atacavam, sem ocultar a mágoa
ou alimentar o rancor.
Louva-se muito o acto desse rapaz espartano
que escondeu sob a sua túnica um lobo,
deixando, sem um único lamento, que este o devorasse.
Eu penso que há mais valentia em agarrar o lobo
e combatê-lo abertamente, mesmo em plena rua,
por entre a poeira levantada e os uivos de dor.
A língua pode ser desordeira,
mas o silêncio envenena a alma.
Quem quiser, que me censure ─ eu estou satisfeito.


edgar lee masters
spoon river
tradução josé miguel silva
Relógio d´água
2003
 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Livros, incontáveis livros II...

Livros, incontáveis livros I...

Marc Giai-Miniet é um artista francês cuja página pode ser visitada em. A devida vénia é para a revista "Somos livros", onde vi reproduzidas algumas destas obras:

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Passos de astronauta


 
O ASTRONAUTA

As estrelas e equações na madrugada
tecem a rede de uma aranha negra
que mastiga os ossos da noite.
Por cima da escola voava um avião comercial,
deixando no céu uma cicatriz de fumo
que dizia: “Eu quero ser Neil Armstrong”.
Eu levava no bolso um roteiro
para sair da atmosfera
e desenhar outro bairro no cosmos.
Mas as recordações felizes funcionam
apenas como recordações felizes:
hoje ensaio passos de astronauta
só para atravessar a rua.

Marcelo Daniel Díaz

Música do VOSSO tempo

Achei muita graça a esta música, que ouvi pela primeira vez na "Play list" desta semana da TSF. Veio mesmo a calhar, pois no oitavo ano estou a "dar" "les magasins et les courses" (que associo sempre ao consumismo exagerado) e "les pronoms y et en". Lá tiveram os meninos de fazer uma lista do que a ZAZ "ne veut pas" (oh, les pauvres...)



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O ilustre Fernando Távora

«Fernando Távora

Fotografia de Fernando TávoraFernando Távora
1923-2005
Arquitecto, professor e ensaísta
"Távora é o pai da escola do Porto, mas bisavô da Europa. É uma figura histórica e universal"
(Souto Moura, in Público de 4 de Setembro de 2005)


Arquitectura e Vida nº37 (Abril de 2003) - CapaFernando Luís Cardoso de Menezes de Tavares e Távora nasceu em 25 de Agosto de 1923 na freguesia de Santo Ildefonso, no Porto, no seio de uma família conservadora, descendente da nobre linhagem dos Távoras. É filho de Dom José Pinto de Tavares Ferrão (1882-1967), Senhor da Casa da Amoreira das Tenentas, Anadia, representante do Vínculo de Fontechão, Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra e ferrenho integrista lusitano, e de sua mulher, e prima em 2º grau, D. Maria José Lobo de Sousa Machado e Couros, Senhora das Casas de São Domingos de Recardães, da Covilhã, do Miradouro e do Costeado e proprietária em Guimarães, Braga e Felgueiras (1892-1951). Foi Senhor da Casa da Covilhã, Fermentões (Guimarães), mas, ao contrário dos seus irmãos, Bernardo Ferrão de Tavares e Távora e Rodrigo Ferrão e Noronha, não usou o título de Dom.
Passou os primeiros anos da sua vida nas propriedades da família, no Minho, na Bairrada e nas praias da Foz do Douro, revelando desde cedo a sua aptidão para o desenho e o seu interesse por casas antigas.
Concluído o curso liceal do Segundo Ciclo no Liceu Alexandre Herculano, em 1940, com a classificação de dezasseis valores, fez o exame de admissão à Escola de Belas Artes do Porto, em 1941, para frequentar o Curso Especial de Arquitectura, contrariando, deste modo, a vontade da família que o queria ver licenciado em Engenharia Civil, um curso, a seu ver, mais prestigiante e mais concordante com a sua condição social.
As clássicas educação familiar e formação inicial foram complementadas pela cultura moderna da educação universitária. Durante quatro anos frequentou o Curso Especial de Arquitectura, inscrevendo-se de seguida no Curso Superior de Arquitectura, em Setembro de 1945, no decurso do qual estagiou com o Arquitecto Francisco Oldemiro Carneiro e realizou vários projectos nos anos de 1946 e 1947 (sobre grande composição, construção geral, composição decorativa, arqueologia e urbanização).
Em 1947 publicou o ensaio "O problema da casa portuguesa. Falsa arquitectura. Para uma arquitectura de hoje.", onde sintetizou a noção de uma arquitectura moderna, mas enraizada na cultura, e onde chamou a atenção para a necessidade de um estudo científico da arquitectura popular portuguesa.
No final do estágio profissional, em 31 de Março de 1950, o seu orientador declarou que ele tinha sido seu colaborador, desde 20 de Dezembro de 1947, e se encontrava apto para desempenhar a profissão escolhida. Em 1952, no Concurso para a Obtenção do Diploma de Arquitecto (CODA), apresentou o projecto Uma Casa sobre o Mar, com o qual obteve a brilhante classificação de dezanove valores, mas que nunca foi concretizado.
Entretanto, em 1955, integrou a equipa responsável pelo "Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa", um trabalho pioneiro no estudo da arquitectura nacional, promovido pelo Sindicato Nacional dos Arquitectos e publicado em 1961.
A sua longa e marcante carreira de docente universitário ligou-se, essencialmente, a três instituições: à Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), onde começou a leccionar, a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), que ajudou a instalar (foi Presidente da sua Comissão Instaladora) e à Universidade de Coimbra, mais concretamente ao Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia, constituído com a sua colaboração nos anos oitenta do século XX.
Desenho de Fernando TávoraEntre 1957 e 1958 prestou assistência graciosa na ESBAP, passando em 14 de Abril de 1958 a 2º assistente do 1º grupo. Em 1962 (29 de Junho), foi nomeado Professor Agregado do 1º Grupo de Disciplinas e a 3 de Abril de 1963 tomou posse das funções de 1º Assistente do 1º Grupo da ESBAP. Em 1970 (14 de Abril), foi contratado, por conveniência urgente de serviço, para professor do 1º Grupo, mantendo-se no cargo até 13 de Maio de 1986. Na FAUP foi professor associado, entre 14 de Maio de 1986 e 24 de Setembro de 1989, e professor catedrático de 25 de Setembro de 1989 a 24 de Agosto de 1993. Pediu a aposentação em 1993.
Nas aulas vivas e cativantes deste professor competente e interessado, os tradicionais diapositivos eram, por vezes, substituídos por desenhos da sua autoria e os alunos instigados a viajar, tal como ele fez durante toda a sua vida, por prazer e para estudar arquitectura e trabalhar.
Como poucos, participou, entre 1951 e 1959, nos Congressos Internacionais de Arquitectura Moderna, da Conferência Internacional de Artistas da UNESCO de Veneza, Hoddesdon, Aix-en-Provence, Dubrovnik and Otterlo, onde conheceu, entre outros, a figura mítica do arquitecto Le Corbusier. Foi Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto para a Cultura nos Estados Unidos e Japão (1960).
Mosteiro de Nossa Senhora do Pilar, Vila Nova de GaiaEm 9 de Fevereiro de 1954 contraíra matrimónio no Mosteiro de Nossa Senhora do Pilar, em Santa Marinha, Vila Nova de Gaia, com D. Maria Luísa Rebelo de Carvalho Menéres (1930-), licenciada em Artes Plásticas pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, de quem teve três filhos: José Bernardo Menéres de Tavares e Távora, Maria José Menéres de Tavares e Távora e Luísa Teresa Menéres Tavares e Távora.
Casa de Férias de Ofir de Fernando TávoraOs seus projectos arquitectónicos construídos, tais como o Mercado Municipal de Santa Maria da Feira (1953-59), o Pavilhão de Ténis da Quinta da Conceição, em Matosinhos (1956-1960), a Casa de Férias no Pinhal de Ofir, em Fão (1957-1958), a Ampliação das instalações da Assembleia da República, em Lisboa (1994-1999) ou a Casa da Câmara/Casa dos 24, no Porto (1995-2002), reflectem um forte sentido de responsabilidade social na forma como associa a criatividade à criteriosa abordagem ao sítio, aos pormenores técnicos e à funcionalidade da obra.
Pousada de Santa Marinha da Costa, GuimarãesNa área da conservação do património deixou trabalhos inigualáveis, como a recuperação do Convento de Santa Marinha da Costa e sua transformação em Pousada (1975-1984) e a redescoberta e reabilitação do Centro Histórico de Guimarães (1985-1992), classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 2001; o projecto de remodelação e expansão do Museu Nacional de Soares dos Reis (1988-2001) e o restauro exemplar do Palácio do Freixo e áreas envolventes, no Porto (1996-2003).
Foi também arquitecto da Câmara Municipal do Porto e Consultor da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, do CRUARB (Comissariado para a Recuperação Urbana da Área da Ribeira - Barredo), da Comissão de Coordenação da Região Norte e do Gabinete Técnico da Câmara Municipal de Guimarães. Foi Membro Conselheiro do Comité de Cursos de Campo de Arquitectura da Comunidade Económica Europeia.
Morreu vítima de cancro, no dia 3 de Setembro de 2005, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. O seu corpo esteve em câmara ardente na capela da sua casa de Fermentões, um solar seiscentista reformado em Oitocentos e nos anos setenta do século XX, pelo próprio, sendo depois trasladado para o Porto, onde foi cremado no Cemitério do Prado do Repouso.
 
Casa da Câmara de Fernando TávoraFicou a obra de um dos maiores vultos da Arquitectura Contemporânea Portuguesa, fundador e mestre da "escola do Porto", que precocemente reconheceu talento no aluno Álvaro Siza e soube, como ninguém, fazer a síntese entre a arquitectura tradicional nacional, marcante na sua obra dos anos 50 e 60, e a arquitectura moderna internacional, bem presente nos seus projectos dos anos 80 e 90 do século XX. É um autor da continuidade, avesso a rupturas, para quem uma obra arquitectónica tem de ser entendida no contexto do ambiente envolvente.
Como o próprio dizia, "eu sou a arquitectura portuguesa".
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2008)»

Arte poética, segundo José Tolentino de Mendonça

E eis como termina a subcitada crónica: "Das muitas definições de poesia, há duas a que retorno sempre. A primeira é de Paul Celan: «A poesia é qualquer coisa que pode significar uma mudança na respiração.» E a outra, de Jean-Yves Masson: «A poesia é uma água à qual podemos pedir a sede.» Gosto destas definições por acreditar que o poema ilumina e adensa o caminho da nossa própria humanidade. Mas os poetas precisam que a sociedade pergunte se tem a pagar alguma coisa."

A lista de José Tolentino de Mendonça

 
Embora não seja esse o assunto principal da crónica "O preço de um poema" que José Tolentino de Mendonça publicou no Expresso de 2 de Fevereiro, pareceu-me interessante transcrever a "short list" (perdoem-me, por uma vez, o empréstimo) do poeta:

  • Os Lusíadas de Luís de Camões
  • obra de Álvaro de Campos
  • Um adeus português de Alexandre O'Neill
  • Natureza morta com louva-a-deus de Fiama Hasse Pais Brandão
  • A Magnólia de Luiza Neto Jorge
  • O inominável de Eugénio de Andrade
 e o a-propósito da crónica: De amore de Armando da Silva Carvalho

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Lido no "Página 23" de ontem

O que pensam os mais novos que vêem muitas cenas de violência e de sexo na televisão


Imagem: Cães dana­dos, de Quentin Tarantino
“O impacto da exposição de cri­anças e ado­les­centes a cenas de sexo e vio­lên­cia na tele­visão” é o tema de um doc­u­mento em que a Andi – Comu­ni­cação e Dire­itos e o Inter­vozes – Cole­tivo Brasil de Comu­ni­cação Social recen­seiam diver­sas inves­ti­gações, real­izadas, desde há décadas, em diver­sos países, sobre os efeitos que as ima­gens tele­vi­si­vas de sexo e vio­lên­cia pro­duzem em cri­anças e jovens. As con­clusões a que os estu­dos chegaram são idên­ti­cas, havendo um amplo con­senso quanto à cir­cun­stân­cia de o vision­a­mento reg­u­lar de con­teú­dos inad­e­qua­dos provo­car graves con­se­quên­cias na vida mais novos, que podem ficar mais ansiosos, agres­sivos e medrosos; for­mu­lar con­cepções erradas sobre o papel da vio­lên­cia na vida real; e ter uma ini­ci­ação pre­coce da activi­dade sex­ual.
O doc­u­mento “Media e infân­cia” apre­sen­tou, em Março de 2012, os resul­ta­dos de estu­dos pro­movi­dos na Ale­manha, na Holanda, na Sué­cia, no Canadá e nos Esta­dos Unidos da América, onde, nos últi­mos 40 anos, foram real­izadas mais de 3.500 inves­ti­gações sobre os efeitos da vio­lên­cia tele­vi­siva. Ela surge em vari­a­dos géneros de pro­gra­mas, como, por exem­plo, video­clips, pro­gra­mas de entreten­i­mento, doc­u­men­tários ou noti­ciários. Nos Esta­dos Unidos da América, ao ter­mi­nar o ensino básico, uma cri­ança comum terá visto mais de oito mil assas­si­natos e mais de cem mil out­ros actos de vio­lên­cia incluí­dos nos diver­sos con­teú­dos tele­vi­sivos. Esta exposição exces­siva à vio­lên­cia con­tribui, segundo várias inves­ti­gações, para um acréscimo da vio­lên­cia na sociedade norte-americana.
Um dos estu­dos, real­izado pela Uni­ver­si­dade de Michi­gan, esta­b­elece uma cor­re­lação entre a exposição de cri­anças à vio­lên­cia na tele­visão e os com­por­ta­men­tos agres­sivos e vio­len­tos no iní­cio da fase adulta. A pesquisa avaliou, em 1977, os hábitos de 557 cri­anças de Chicago em relação, sobre­tudo, ao con­sumo de pro­gra­mação tele­vi­siva vio­lenta. Uma grande parte dessas cri­anças foi ouvida 14 anos depois, quando tin­ham idades com­preen­di­das entre os 20 e os 22 anos, tendo-se ver­i­fi­cado que uma maior exposição a con­teú­dos tele­vi­sivos vio­len­tos foi capaz de sus­ci­tar um aumento sig­ni­fica­tivo do nível de agres­sivi­dade na vida adulta. Mesmo cri­anças, de todos os extrac­tos soci­ais, que não eram agres­si­vas na infân­cia, ao terem sido expostas a um vol­ume sig­ni­fica­tivo de con­teú­dos tele­vi­sivos vio­len­tos, acabaram por apre­sen­tar uma maior tendên­cia para se tornarem agres­si­vas na idade adulta.
Além de pre­dis­por os mais novos a adoptarem com­por­ta­men­tos agres­sivos, as cenas tele­vi­si­vas vio­len­tas ditaram uma perda de sen­si­bil­i­dade per­ante a vio­lên­cia no mundo real e um aumento do medo. O Physi­cian guide to media vio­lence, pub­li­cado pela Amer­i­can Med­ical Asso­ci­a­tion, em 1996, indica que a exposição a um único filme, pro­grama de tele­visão ou reportagem pode resul­tar em depressão emo­cional, pesade­los ou out­ros prob­le­mas rel­a­tivos ao sono em muitas cri­anças, par­tic­u­lar­mente as mais novas. E cri­anças ame­drontadas, acrescenta-se, estão mais sujeitas a se tornarem víti­mas ou agres­sores. Tam­bém o estudo Young people’s per­cep­tion of vio­lence on the screen, real­izado na Uni­ver­si­dade de Utrecht, na Holanda, con­cluiu que a vio­lên­cia nos ecrãs tende a ser perce­bida pelos mais novos como um apel­a­tivo mod­elo para resolver os prob­le­mas da vida real.
O Physi­cian guide to media vio­lence julga que as cri­anças e os jovens que abusam do con­sumo dos media elec­tróni­cos podem ser mais facil­mente lev­a­dos a con­sumir álcool e tabaco, a terem relações sex­u­ais pre­co­ce­mente e a con­sumir exces­si­va­mente uma vez que existe a tendên­cia, bem doc­u­men­tada, de as cri­anças imitarem os padrões com­por­ta­men­tais mostra­dos na tele­visão. Out­ros estu­dos tiraram idên­ti­cas con­clusões. O doc­u­mento Watch­ing sex on tele­vi­sion pre­dicts ado­les­cent ini­ti­a­tion of sex­ual behav­ior, pub­li­cado em 2004 pela Acad­e­mia Amer­i­cana de Pedi­a­tria, con­sid­era que, para a ini­ci­ação sex­ual dos ado­les­centes, tem sido deter­mi­nante a exposição ao sexo tele­vi­sivo a que eles estão sujeitos, dizendo os dados de 1996 rel­a­tivos aos Esta­dos Unidos da América que um ado­les­cente médio se encon­trava exposto a cerca de 14 mil refer­ên­cias a sexo na tele­visão durante o período de um ano.
Ver tele­visão tendo por perto a com­pan­hia de um adulto que ava­lie o que pode ou não ser obser­vado é uma exce­lente regra. É que as cri­anças e os jovens vêem na tele­visão e na Inter­net demasi­adas ima­gens per­ni­ciosas para o seu desen­volvi­mento saudável.»

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Doida Não e Não!"

Ainda a comunidade de leitores da ESVV

A comunidade de leitores dedicada a O alienista de Machado de Assis teve esta virtualidade (inerente à cultura) de suscitar mais e mais questões. Bem assim para a figura de Maria Adelaide Coelho da Cunha, que foi objecto de um livro de Manuela Gonzaga, Doida, não e não!





No blogue http://leiturasdasmarias.blogspot.pt/, encontrei um texto assaz elucidativo acerca desta obra - e da personagem real que a motivou:

 
«Sinopse: Filha e herdeira do fundador do 'Diário de Notícias'. Mulher do administrador do mesmo jornal, o escritor Alfredo da Cunha. Presa num manicómio por um «crime de amor». Os factos relevantes têm início em Novembro de 1918: era uma vez uma senhora muito rica que fugiu de casa, trocando o marido, escritor e poeta, por um amante. Tinha quarenta e oito anos, pertencia à melhor sociedade portuguesa. O homem por quem esta senhora se apaixonou tinha praticamente metade da sua idade e fora seu motorista particular. Era herdeira do 'Diário de Notícias' e a sua história chocou a sociedade da época.

(...) Quando no dia 13 de Novembro de 1918, Maria Adelaide Coelho da Cunha saiu de casa para não mais voltar nunca pensou no desfecho que a sua fuga iria tomar. Santa Comba Dão acolheu o amor desta dama da sociedade pelo seu antigo motorista, Manuel Claro, mas poucos dias depois do seu desaparecimento o seu marido, Alfredo da Cunha, decide colocar um anúncio no jornal de que era administrador “Diário de Notícias”.

Maria Adelaide tinha abandonado um casamento de 28 anos com Alfredo da Cunha, e um filho, José Eduardo Coelho da Cunha de 26 anos, licenciado em Direito. «Tinha 48 anos e era uma figura incontornável na vida social lisboeta e o casal era apontado como exemplo de harmonia conjugal».

«Enquanto casada, Maria Adelaide tinha uma vida social intensa. Além de conviver bastante, viajava muito também com o marido por vários países da Europa ver peças ou teatro e locais históricos».

No entanto, segundo alguns testemunhos de amigos, familiares e criados, a partir de 1917, Maria Adelaide sofreu uma grande mudança de atitudes.

Após 11 dias de ter fugido para Santa Comba Dão é descoberta pelo marido e pelo filho e acaba por ser levada para o Conde de Ferreira, no Porto, onde foi diagnosticada como louca. Naquela instituição Maria Adelaide passou a ficar constantemente vigiada e mesmo uma carta teria de passar pela «pela censura da Direcção, acrescentara-lhe o “salvo conduto – umas palavras de louvor ao modelar Conde de Ferreira”, porque a única forma das cartas seguirem “é dizer bem do hospital”».

Entretanto, Maria Adelaide consegue passar estas palavras, de uma forma camuflada, a Manuel Claro, sobre as condições com que a puseram no hospital psiquiátrico.

«Imagina que não me fizeram nenhum exame médico para aqui me meterem; mas o dinheiro pode tudo e a prova está à vista. É preciso que desconfies de tudo e de todos em toda a parte e principalmente do Balbino Rego que teve tudo isto um papel de miserável, como depois de contarei…”»

Não era de admirar. O decreto de 11 de Maio de 1911 dizia que qualquer pessoa poderia requerer o internamento de outra no manicómio, desde que apresentasse o atestado de dois médicos e um exame de Júlio de Matos. E assim foi. Maria Adelaide foi internada no Conde de Ferreira e «arcou com um diagnóstico de loucura que lhe foi aposto com assinaturas de Júlio de Matos, Egas Moniz e Sobral Cid». Depois disso ainda viria a perder todos os seus bens.

«Em silêncio deixou-se conduzir ao pavilhão das criminosas. Era o dia 26 de Fevereiro de 1919. Durante uns brevíssimos e felicíssimos 23 dias fora a “rapariga de Manuel”.

Agora voltava a ser uma louca.»

Durante oito meses, Maria Adelaide permanece no manicómio e, só mais tarde, em praça pública, é que decide contar o seu «crime de amor». Manuel Claro também estivera preso, na Cadeia da Relação, no Porto, durante praticamente quatro anos.

Mas o amor superou tudo. Maria Adelaide viria a morrer na sua casa, no Porto, no dia 23 de Novembro de 1954, com 85 anos. Manuel Claro morreria em 1967, vítima de cancro. Viveram juntos mais de 30 anos, sem nunca terem casado.



Esta história surpreendente, que me deixou sem fôlego tal o enredo que a própria autora, Manuela Gonzaga, tão bem urdiu, surgiu através dos actuais donos do palácio de São Vicente, que em 2003 descobriram que de um fundo falso de uma pesada secretária, surgiu «um precioso acervo de minutas de cartas, bilhetes e notas enviadas a quem privou com o casal (Maria Adelaide e Alfredo da Cunha) – amigos, familiares e antigos serviçais do palácio - , a quem se pedia depoimentos sobre os tempos felizes de São Vicente. Também ali se encontravam relatórios e pareceres fundamentados nos exames psiquiátricos feitos a Maria Adelaide e assinados pelos mais ilustres professores da especialidade…E, ironia amarga, ali estava também o seu lacónico bilhete, escrito em Santa Comba Dão, e colocado nos correios de Aveiro, conhecido como «a carta do lacre verde»».

Um excelente relato da história que, além de contar todas as peripécias pelas quais passou o casal de apaixonados, ainda centra a vida de Maria Adelaide no contexto história em que ela viveu. Um livro que recomendo a todos os amantes da história de Portugal no início do século XX e de como as mulheres eram tratadas caso não ‘obedecessem’ às regras estipuladas.

Esta linda história de amor também já tinha servido de mote a Monique Rutler, que realizou o filme Solo de Violino, em 1992, cujos protagonistas foram André Gago, no papel de Manuel Claro e Fernanda Lapa no papel de Maria Adelaide. «O filme viajou pelo mundo inteiro, estando presente em numerosos festivais nomeadamente em Nova Iorque, Cannes, Berlim, Cairo e Florença», mas infelizmente não está disponível em circuito comercial, «e a RTP passou-o duas vezes apenas nestes anos todos. O mesmo se pode dizer da banda sonora, com assinatura de Constança Capdville».





sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O conceito de panóptico, segundo Olga Pombo (e Michel Foucault)

Transcrevo um texto de Olga Pombo In http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/sociedade%20disciplinar/Pan%C3%B3ptico.htm


«Ao estudar a "Sociedade Disciplinar", Foucault constata que a sua singularidade reside na existência do Desvio diante a Norma. E assim, para "normalizar" o sujeito moderno, foram desenvolvidos mecanismos e dispositivos de vigilância, capazes de interiorizar a culpa e causar no indivíduo remorsos pelos seus actos.
Dentre os dispositivos de vigilância do início do século, podemos destacar o Panóptico, de Jeremy Bentham, um mecanismo arquitectural, utilizado para o domínio da distribuição de corpos em diversificadas superfícies (prisões, manicómios, escolas, fábricas).
Como cada cela dava ao mesmo tempo para o interior e para o exterior, o olhar do vigilante podia atravessar toda a cela; não havia nenhum ponto de sombra e, por conseguinte, tudo o que o indivíduo fazia estava exposto ao olhar de um vigilante que observava através de persianas, de postigos semi-cerrados de modo a poder ver tudo sem que ninguém ao contrário pudesse vê-lo.
O panoptismo corresponde à observação total, é a tomada integral por parte do poder disciplinador da vida de um indivíduo. Ele é vigiado durante todo o tempo, sem que veja o seu observador, nem que saiba em que momento está a ser vigiado. Aí está a finalidade do Panóptico,

...induzir no detido um estado consciente e permanente de visibilidade que assegura o funcionamento autoritário do poder. Fazer com que a vigilância seja permanente nos seus efeitos ... que a perfeição do poder tenta tornar inútil a actualidade do seu exercício...

Foucault,(1997),pag:166

Dissociando-se o par ver/ser visto, automatiza-se e desinvidualiza-se o poder.

O Panóptico organiza espaços que permitem ver, sem ser vistos, portanto, uma garantia de ordem. Assim, a vigilância torna-se permanente nos seus efeitos, mesmo que não fosse na sua acção. Mais importante do que vigiar o prisioneiro o tempo inteiro, era que o mesmo se soubesse vigiado. Logo, não era finalidade do Panóptico fazer com que as pessoas fossem punidas, mas que nem tivessem a oportunidade para cometer o mal, pois sentiriam-se mergulhadas, imersas num campo de visibilidade.

Em suma, o Panóptico desfaz a necessidade de combater a violência física com outra violência física, combatendo-a antes, com mecanismos de ordem psicológica.

A essência do Panóptico reside na centralidade da situação de inspecção, ou na construção, sem duvida ficcional, de uma espécie de "inspector central", omnipotente, omnipresente e, principalmente, omnividente.

O Panóptico (...) tem seu principio não tanto numa pessoa como numa certa distribuição concertada dos corpos, das superfícies, das luzes, dos olhares; numa aparelhagem cujos mecanismos internos, produzem a relação na qual se encontram presos os indivíduos (...) Pouco importa, consequentemente, quem exerce o poder. Um indivíduo qualquer, quase tomado ao acaso, pode fazer funcionar a máquina: na falta do director, sua família, os que o cercam, seus amigos, suas visitas, até seus criados (...) Quanto mais numerosos esses observadores anónimos e passageiros, tanto mais aumentam para o prisioneiro o risco de ser surpreendido e a consciência inquieta de ser observado.

Foucault, (1997), pag:167

Quem está submetido a um campo de visibilidade, e sabe disso, retoma por sua conta as limitações do poder; fá-las funcionar espontaneamente sobre si mesmos; inscreve em si a relação de poder na qual ele desempenha simultaneamente os dois papeis: torna-se o princípio da sua própria sujeição.

Foucault, (1997), pag:168

O Panóptico (...) deve ser compreendido como um modelo generalizável de funcionamento; uma maneira de definir as relações de poder com a vida quotidiana dos homens. Bentham sem duvida o apresenta como uma instituição particular, bem fechada em si mesma. muitas vezes se fez dele uma utopia do encarceramento perfeito.

Foucault, (1997), pág:169

Para Bentham, qualquer punição deve ser encarada antes de tudo como espectáculo; importa menos o seu efeito sobre quem é castigado, do que as impressões que recebem todos aqueles que vêem o castigo ou que dele são informados.

Na sua prisão panóptica, ocasionalmente se escutavam gritos horríveis - só que não de prisioneiros, mas de pessoas contratadas exclusivamente para semelhante propósito. A punição aparente, fictícia, produziria um bem para todos - a ordem, a disciplina - ao mesmo tempo que não produzia nenhum mal, exactamente porque o "mal" produzido teria sido forjado.

Todo o Panóptico, na verdade, é estruturado como uma ficção. É precisamente a aparente omnipresença do inspector que sustenta a perfeita disciplina no Panóptico, controlando os movimentos de transgressão entre os internos. Entretanto, como a omnipresença não pode ser um atributo humano, resta forjá-la, simulá-la, quer por rondas aleatórias, quer pela arquitectura do lugar, que permite a cada um dentro das celas ser facilmente visto, ao mesmo tempo em que dificilmente vê quem o vê.

Em última análise, o inspector perfeito, o inspector omnipresente, é aquele que nunca aparece - mas que pode aparecer a qualquer instante. O inspector perfeito é, enfim, uma voz, um olho, um ofício carimbado, uma sombra indistinta no fundo do corredor.

Neste tipo de instituições, nós somos vistos, ou pensamos que somos vistos, sem vermos aquele que vê, nós escutamos uma voz, sem vermos o dono da voz. O Panóptico deve ser governado por um olhar e por uma voz desconectados do seu portador. O inspector torna-se, então, uma espécie de fantasma. Em última instância, é uma entidade de ficção - ele não existe. Justamente por isto, ele pode provocar um medo superior ao de um guarda real, por mais cruel que esse guarda fosse.

A utopia panóptica - em si mesma uma obra de ficção - gerou outras tantas obras de ficção. Muitos livros tematizaram o Panóptico, em geral para repudiá-lo, ou exorcizá-lo. Dentre eles, o romance mais conhecido é 1984, de George Orwell, em que a figura omnipresente e omnividente (entretanto inexistente) do inspector geral toma a forma do Big Brother, enfim, de um grande olho que pode ver todos os recantos. Orwell escreveu-o em 1948, invertendo os dois últimos algarismos para situar a sua utopia negativa.

O esquema Panóptico pode ser utilizado sempre que se deseja impor uma tarefa ou um comportamento a uma multiplicidade de indivíduos.

O Panóptico (...) permite aperfeiçoar o exercício do poder. E isto de várias, maneiras: porque pode reduzir o número dos que o exercem, ao mesmo tempo que multiplica o número daqueles sobre os quais é exercido (...) Sua força é nunca intervir, é se exercer espontaneamente e sem ruído (...) Vigiar todas as dependências onde se quer manter o domínio e o controle. Mesmo quando não há realmente quem, assista do outro lado, o controle é exercido. O importante é (...) que as pessoas se encontrem presas numa situação e poder de que elas mesmas são as portadoras (...) o essencial é que elas se saibam vigiadas.

Foucault, (1997), pág: 170»

 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Melhor é impossível

Este texto, que li hoje no Público on-line, é da autoria de Joana Gorjão Henriques. Podia glosá-lo ou parafraseá-lo... mas não era a mesma coisa.
 
 
«O que fazer com a lasanha que hoje estava deliciosa mas amanhã não me apetece? Ponho-a no frigorífico ou vou oferecê-la à vizinha? Por que é que não peço mais vezes para me embrulharem os restos da dose que pedi no restaurante? E se fizesse em casa o dia dos excedentes e não deitasse fora o iogurte que passou do prazo há um dia?
No momento de decidir o que fazer com restos de comida, muitos acabam por deitar para o lixo aquilo que outros – e até nós próprios – poderíamos aproveitar.
A propósito da apresentação, esta quinta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, do primeiro estudo sobre desperdício de comida feito em Portugal, Do Campo ao Garfo - Desperdício Alimentar em Portugal, pedimos aos líderes de duas organizações que reaproveitam comida dos restaurantes para revelarem conselhos de como, em casa, não acrescentar mais gramas ao milhão de toneladas de alimentos que todos os anos se desperdiça em Portugal – o que corresponde a 17% dos alimentos produzidos, e o maior desperdício acontece na fase final do consumo das famílias.
O americano Hunter Halder fundou em Março de 2011 o Re-Food, que vai buscar as sobras dos restaurantes e as distribui por quem precisa na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa. No dia 26 de Dezembro a Re-Food organiza neste bairro o Natal feito à base de sobras. António Costa Pereira é o criador da associação DariAcordar, que lançou o movimento Zero Desperdício, com um conceito semelhante – desde Abril recuperaram mais de 70 mil refeições e 40 mil produtos de venda de máquinas automáticas para ajudar três mil pessoas em Loures, Cascais, Sintra e Lisboa.
Hunter Halder – Re-Food
“Digo o mesmo sobre o desperdício familiar que digo do desperdício comercial: não sabemos o poder que cada um de nós tem para mudar o mundo. Usar esse poder é uma decisão nossa, porque cada um tem a capacidade de evitar o desperdício de toneladas e toneladas de alimentos.”
1. Reeducar para valorizar a comida
"A comida é preciosa, mas não aprendemos a valorizá-la, o nosso comportamento não mostra isso. Os nossos avós e bisavós, que viveram a Grande Depressão dos anos 1930, diziam-nos que deitar comida fora era um pecado – viveram situações de privação em que a comida era preciosa."
2. Planeamento: preparar a quantidade de comida certa, não ter mais olhos que barriga
3. Triagem imediata dos restos, prever o futuro da lasanha
"Para mudar comportamentos, é preciso usar instrumentos que os facilitem. Por exemplo, não fazíamos a separação do lixo e hoje temos três caixotes: um para o papel, outro para o vidro, outro para o orgânico. Ou seja, temos instrumentos para apoiar o comportamento. No caso da comida tem de haver uma triagem imediata. Se sobra comida a uma refeição, normalmente ponho-a no frigorífico. Mas devemos tomar logo uma decisão: vou comê-la amanhã? Se pararmos dois minutos para pensar, se calhar pensamos que a lasanha que sobrou estava óptima, mas amanhã vai-nos apetecer comer frango. Então podemos dar o resto ao vizinho ou à família. Tenho uma vizinha que vive de comida 'reciclada'. Outra hipótese é entregá-la a uma organização local que faça a redistribuição de sobras."
4. Planeamento: pedir a dose de comida certa num restaurante, pedir meia dose em vez de uma, partilhar a dose com outra pessoa
5. Se sobra comida no restaurante, pedir para embalar o resto
"Se sobra comida dos clientes, não há nada que o restaurante possa fazer com isso. Então cabe à própria pessoa tomar a decisão do que vai fazer. Esse resto pode ser aproveitado para uma refeição mais tarde, ou ser entregue a uma entidade local que faz redistribuição ou oferecida a alguém – o que cada pessoa desperdiça num restaurante é talvez o mesmo que o nosso projecto recolhe por noite – 300 refeições diárias."

António Costa Pereira – DariAcordar
“Basicamente, estamos a falar de alterações de atitude na sociedade – recuperando alguns dos bons hábitos do tempo dos nossos pais e avós e respeitando o imenso valor dos alimentos que nos chegam à mesa, isto é, efectuando compras avulsas.”
6. Fazer uma ementa de refeições, para ser mais fácil organizar uma lista de compras (que idealmente deve ser diária ou semanal, evitando as grandes compras mensais).
7. Ter atenção aos prazos de validade na compra dos produtos, sabendo a diferença entre “consumir de preferência antes de" (menos restrito) e “data-limite de consumo” (quando não se deve mesmo ultrapassar o prazo).
8. Organização na despensa e/ou frigorífico, colocando à vista os produtos com prazos de consumo mais curtos.
9. Servir no prato menos quantidade (podendo servir mais vezes), a fim de evitar o desperdício do chamado “resto de prato”
10. Com tanta informação (muita dela na Internet) sobre receitas para aproveitamento das sobras para outros pratos (empadão, tortilhas, açorda, pão ralado, batido de frutas, etc), podemos reaproveitar esses excedentes criando em casa “o dia dos excedentes” – explicando aos filhos o que se pretende, eles aderem e tornam-se o garante futuro desses bons hábitos.»

terça-feira, 13 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Prefiro "A casinha do ursinho Puff"





A MÃO



Vinte e sete ossos,

trinta e cinco músculos,

cerca de duas mil células nervosas

em cada uma das pontas dos cinco dedos.

É quanto basta

para escrever Mein Kampf

ou A Casinha do Ursinho Puff.

(Wisława Szymborska)





[in http://bibliotecariodebabel.com/tag/wislawa-szymborska/]

A petição por que eu esperava...

... foi-me mandada pela Elisa. Ora leiam:


http://www.avaaz.org/po/petition/Contra_a_liberalizacao_das_plantacoes_de_eucalipto_em_Portugal/?tsPDKab




Contra a liberalização das plantações de eucalipto



Foi recentemente avançada uma proposta da alteração da legislação sobre Arborização e Rearborização, a qual abre a porta à liberalização das plantações de eucalipto em Portugal. Sabendo que o eucalipto é uma espécie invasora que aloja uma baixa biodiversidade e potencia os fogos, factor crítico em Portugal, pedimos que considerem esta alteração e que evoluam no sentido de proteger o nosso património natural ao investir na plantação de espécies nativas portuguesas, as quais reduzem os fogos e potenciam a biodiversidade.Para mais informações, consultem o pdf da proposta de alteração aqui: http://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&ved=0CHQQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.afn.min-agricultura.pt%2Fportal%2Foutros%2Fnoticias%2Fresource%2Fficheiros%2Facoes-arborizacao-e-rearborizacao&ei=VpsdUOnbDIeBhQfXbw&usg=AFQjCNE7GxrhZ-rzto53DYsr9PBLbE0cxQ

http://www.avaaz.org/po/petition/Contra_a_liberalizacao_das_plantacoes_de_eucalipto_em_Portugal/?tsPDKab

Um blogue a ter em conta

 

As críticas de José Mário Silva são - para ser sucinta - muito justas. Lia-o na secção "Actual" do Expresso, na Ler e, doravante, tenciono segui-lo no blogue: http://bibliotecariodebabel.com/

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Entretanto, contento-me...


... a folhear o meu exemplar do Diário Gráfico de Braga, editado pela Fundação Bracara Augusta.

 

Diário Gráfico