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sexta-feira, 11 de março de 2011

My name is Camelo, Fernando Camelo

Ontem debrucei-me na balaustrada do primeiro andar do bloco A e ia caindo. É que não estou habituada a que esta escola seja tão artística. E o que é que me ia fazendo cair? Um círculo de alunos que, de ventoinhas em riste, faziam flutuar um plástico azul, algo que deve estar entre um princípio qualquer da Física que eu ignoro e a "permonance" artística. O início do filme "Beleza americana", por exemplo. Estavam tão bonitinhos, tão compenetrados, os nossos alunos...
Hoje, à vinda da sala de vídeo, surpreendi-os a fazer um mural. Os écrãs dos computadores da sala de Directores de turma têm um fundo alegre. Os cartazes estão mais animados. O quadro da sala de professores tem pequenos apontamentos efémeros (o balcão do bar também já teve). É o Camelo, o Fernando. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Já alguma vez leste?

Esta interrogação não é retórica. A professora Ana Cristina Oliveira contou-nos que um seu aluno do décimo primeiro ano andava excitadíssimo com o Código da Vinci. Tratava-se de um rapaz que, aparentemente, nunca tinha lido. Nunca tinha lido? Nunca tinha lido... livros. Ou seja: aprendeu a ler. Sabe ler. Lê. Claro que lê: deve ter lido "milhões" de letreiros, textos, testes, cartazes, legendas de televisão, rótulos... mas nunca tinha tido uma experiência de leitura.
Eis senão quando, um amigo lhe empresta O Código da Vinci. Ora um amigo não é um professor, um empréstimo não é uma obrigação, nem uma ordem, nem um trabalho de casa. O nosso rapaz abriu o Código da Vinci e descobriu que, afinal, AFINAL, gostava de ler. Foi assim uma espécie de epifania: não dormia, não comia, só queria ler. Donde se conclui que o nosso herói nunca tinha sido interpelado por um livro que lhe agradasse. Nunca tinha sido "agarrado" por um livro. Nunca tinha apanhado esse vírus, pior (porque mais duradouro) que o da gripe. Mais fiel do que a paixão. Mais barato do que estar na moda.
É o João Paulo Gonçalves do 11ºL. Perguntem-lhe...
(E não precisam de nos perguntar o que queremos dizer com epifanias. Estamos apenas a referir-nos a uma revelação súbita. Mas é mais bonito assim.)