quarta-feira, 27 de março de 2013
«O mais revelador memorial do passado da humanidade»
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Salgueiro Maia comanda...
... Francisco Sousa Tavares, de megafone, contextualiza (4:54), Sophia de Mello Breyner Andresen escreve:
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
sábado, 1 de maio de 2010
Da paixão
Como tantas vezes acontece, estou apaixonada por quem ainda não conheço muito bem. Talvez seja por isso que nunca me apaixonei por nenhum dos meus amigos de infância (os amigos dos meus pais bem me queriam para nora, mas não estava assim destinado). Talvez seja por isso que não estou apaixonada pelo Marcel, que conheço demasiado bem. Tenho muito carinho por ele, adormeci muitas vezes a seu lado, mas não estou apaixonada.
Agora, porém, estou apaixonada pelo Enrique. O Enrique, aliás, conhece o Marcel. E foi-me apresentado pelo (ele, sempre ele) meu mentor. E agora eu estou apaixonada, e deito-me com ele, e acordo às seis da manhã para, por inteiro, a ele me dedicar.
Para me dedicar ao meu esplêndido, maravilhoso, encantador, fascinante Bartleby & Companhia, do Enrique (Vila-Matas). Eu gosto do Marcel e de A la Recherche du temps perdu. Mas ontem conheci o Enrique e agora estou apaixonada por ele. Sou volúvel.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Mais anjos
E foi como se tudo se extinguisse,
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Anjos criados em Cervães
ou, ainda, em
sábado, 9 de maio de 2009
Asas definitivamente não assexuadas
Asas servem para voar,
Para sonhar, ou para planar
Visitar, espreitar, espiar,
Mil casas do ar.
As asas não se vão cortar;
Asas são para combater,
Num lugar infinito no vácuo,
Para respirar o ar.
As asas são
Para proteger, te pintar
Não te esquecer,
Visitar-te, olhar-te, espreitar-te
Bem alto do ar.
E só quando quiseres pousar
Da paixão que te roer,
É um amor que vês nascer
Sem prazo, idade de acabar.
Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer.
Mas só quando quiseres pousar
Da paixão que te roer,
É um amor que vês nascer
Sem prazo, idade de acabar. (x2)
Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer.
Não vejo leis para te prender
Aconteça o que acontecer.
Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer...
Anjos em Garrett
AS MINHAS ASAS
Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um Anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Bati-as, voava ao céu.
– Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra.
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
– Veio a ambição, co'as grandezas,
Vinham para mas cortar
Davam-me poder e glória
Por nenhum preço as quis dar.
Porque as minhas asas brancas,
Asas que um Anjo me deu,
Em me eu cansando da terra
Batia-as, voava ao céu.
Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,
– Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.
E as minhas asas brancas,
Asas que um Anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não se erguiam ao céu.
Cegou-me essa luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!
– Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.
E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.
Drummond em Adélia, ou de como um anjo PODE ter sexo
COM LICENÇA POÉTICA
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
sem precisar mentir.
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Inauguro linhagens, fundo reinos
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.
(In Adélia Prado, Poesia Reunida, Siciliano, São Paulo, 1991)
Vou só repetir, para saborear devidamente: "(...) já a minha vontade de alegria, / sua raiz vai ao meu mil avô."
Sem querer cair no "psicologismo", um dos aspectos que mais me agrada em Adélia Prado é esta vontade de alegria, sinónimo de inteligência emocional (confesso que a leitura do livro Inteligência emocional de David Goleman me afectou profundamente. Confesso que, se tivesse tempo para fazer pesquisas relacionadas com o meu trabalho - não tenho... - essa seria a área a que me votaria. O livro está integralmente disponível na Internet.)
Pergunta para os alunos do 10º ano que andam a ler "O quarto anjo" de José Eduardo Agualusa: qual é o anjo que revela mais inteligência emocional?
Anjos e Drummond em Chico
Numa música muito conhecida, que embalou a minha infância e juventude, Chico Buarque revisita Drummond:
Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão, eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, minha mula empacou
Mas vou até o fim
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim?
Eu já nem lembro pr'onde mesmo que vou
Mas vou até o fim
O chato dum querubim
Que decretou que eu tava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até ao fim.
Anjos em Drummond
Reparem como Carlos Drummond de Andrade inicia um dos seus poemas mais conhecidos (e mais glosados), "Poema de sete faces":
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Anjos

sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Bloco C, porta azul

