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sexta-feira, 3 de maio de 2013

A semana da leitura na ESVV

Adoro a semana da leitura. Uma segunda-feira por ano, chegamos à escola e os livros de ponto, a que a Ana Margarida anexou um livro e um marcador, "engordaram". Talvez por gostar tanto de livros, vou para as aulas muito bem disposta. Abro o livro, certifico-me do ponto em que ficaram na aula anterior, e começo a ler (eu sei que a maioria dos professores pede, e muito bem, aos alunos que leiam. Mas prefiro fazê-lo eu própria, até porque às vezes, jovens como são, deparam com palavras que não conhecem, pronunciam-nas mal, e perde-se o fio condutor. Manias.). Então, durante um quarto de hora, leio. Durante um quarto de hora, tudo se suspende, seguindo as aventuras de Zorbas e de Ditosa,

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a tragédia de Mattia e Alice

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as façanhas de um cão que faz parte da família
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e as aventuras de Ulisses

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Até hoje, nunca tive uma má experiência, nunca fiquei com a sensação de perder tempo. Pelo contrário: as aulas fluem melhor, os alunos ficam mais tranquilos - de tal forma que às vezes me pergunto se não terei uma voz soporífera -, trabalham mais, aderem bem a tudo o que lhes proponho. Ficam suspensos, pedem mais. Eu própria me pergunto se não devia fazer isso numa base regular. Mas os programas, os programas...
 
Foi nestas aulas que li pela primeira vez Cão como nós. Chorámos de riso com a Montanha da água lilás, que também não conhecia (é muito fácil adaptar, de improviso, alguns passos deste livro às circunstâncias da turma a quem estamos a lê-lo).
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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Literatura de casa de banho



Sempre assumi que gostava de ler no quarto de banho, mas desta vez pude fazê-lo... na escola. Na semana da leitura, quase me assustei ao ver um grande papel pendurado na porta. Era uma crónica do Onésimo Teotónio de Almeida. Só me custou andar a ler o texto às prestações: agora um bocadinho, depois outro... só no segundo dia consegui ler tudo. Terceiro dia: outra crónica. Caso para me perguntarem se eu não caí da retrete abaixo. Não, elevei-me da retrete acima.
 

 

"Um mar de canções"

25 de Abril, na nossa escola, também é música. Durante a semana, ouvimos música gravada na sala dos professores (B Fachada actualizando o sempre actual Sérgio Godinho) e, no dia 24, todos pudemos ouvir o coro da escola cantando Camões e Zeca Afonso. Foi bonito, engraçado e comovente. A cada actuação, o coro melhorava e captava mais a audiência. Da última vez, no bar dos professores, todos cantámos. É este o cimento que faz uma escola.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

25 de Abril: "Un oeillet rouge a fleuri au Portugal"

Esta canção de Chico Buarque (no original,  "Fado tropical") foi cantada por  Georges Moustaki em http://www.youtube.com/watch?v=P_ISBo82gCU. Para além de ouvirmos hoje o coro da escola cantando versões de Zeca Afonso, temos a oportunidade de ver jornais alusivos ao 25 de Abril (originais) expostos na Biblioteca. 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Grande final do Ler & chonar

Na sexta-feira assistimos à sessão final do Ler & chonar. As quatro turmas foram questionadas acerca do livro proposto (alguns alunos sabiam todos os detalhes de cor e salteado), e escreveram e representaram pequenas histórias à volta do tema do sono. Os alunos captaram as ideias mais importantes e aplicaram-nas ao seu contexto escolar e familiar. Achei muita graça à ideia do 9ºB, que conseguiu pôr em cena todos os elementos da turma, graças ao subterfúgio de incluir uma professora que fazia a chamada. Os diálogos entre pais e filhos eram muito naturais e reflectiam as vivências de todos os presentes. A peça do 9ºB, a equipa vencedora, também estava bem escrita e foi bem representada. Um sucesso para o Ler &chonar, mas também para o trabalho em equipa efectuado por alunos e professores.

Livros e filmes: da palavra à imagem: "Ensaio sobre a cegueira"

Não é fácil ser tão questionada acerca de Saramago, mas foi o que aconteceu durante a palestra que a nossa colega Fernanda Neves (Escola Secundária de Amares) veio apresentar cá à escola. A sua apresentação do filme "Ensaio sobre a cegueira" (Fernando Meirelles), que pôs em paralelo com o livro epónimo de José Saramago, suscitou um vivo interesse no público. Um interesse tão vivo que havia alunos a implorar que lhes contássemos o fim. Mas nós resistimos e remetemo-los para a Biblioteca, onde podem ler o livro ou requisitar o filme.

segunda-feira, 4 de março de 2013

«"Amor de Perdição": da realidade à ficção, da ficção à realidade».




O Doutor João Paulo Braga, doutorado em Literatura Portuguesa pela Universidade Católica de Braga, veio à Escola Secundária de Vila Verde apresentar uma conferência intitulada «Amor de Perdição: da realidade à ficção, da ficção à realidade». A palestra destinava-se inicialmente aos alunos de Literatura portuguesa de 11º ano, mas, como há discentes de 10º ano de Português que, no âmbito do contrato de leitura, estão a ler esta obra (publicada há 150 anos), alargou-se a participação a quatro outras turmas.
Após um périplo pelos referentes reais que estão na origem da "topografia" de Amor de perdição, João Paulo Braga desmontou os mecanismos de autentificação a que o romancista recorreu para conferir verosimilhança à obra. Em seguida, respondeu às perguntas das alunas do 11º E.
Em suma, foi uma palestra 3-em-1.

sexta-feira, 1 de março de 2013

"Amor de perdição", olhares cruzados

A pretexto da publicação, há 150 anos, da obra "Amor de perdição", de Camilo Castelo Branco, diversas iniciativas foram promovidas. Gostaria de ter assistido a várias, de que aqui, aqui, aqui, aqui e aqui vos deixo notícia. Porém, dada a escassez de tempo e de recursos, apenas pude assistir a uma e, mesmo a esta, de forma parcial:
 


Ainda assim, em S. Miguel de Seide tive a sorte de assistir a várias conferências muitíssimo interessantes. Melhor ainda foi descobrir que o autor de uma delas, João Paulo Braga, autor da tese de doutoramento «Retórica da ficção: a construção da narrativa camiliana» (a qual pode ser consultada aqui) era quase nosso vizinho. Por isso, resolvemos pedir-lhe que viesse à nossa Escola apresentar a sua conferência «Nos Passos de Simão e de Teresa: roteiro do Amor de Perdição». E assim foi.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Um escritor apresenta-se... à ESVV


Os textos que se seguem são da responsabilidade da Zézin... da professora Maria José Ribeiro e dos seus alunos:

 

«Ele há muita curiosidade no ar!

O nome é estranho… Richard (nem tanto), mas Zimler…

Que faz ele aqui, um escritor “estrangeiro”? Que terá ele para nos dizer, a nós que nem sempre lidamos tão bem como gostaríamos com a língua inglesa??

Bem, mas ele senta-se. Pousa na mesa o chapéu… de abas largas (se não fosse verde, quase que nos faria lembrar Pessoa!). E começa a falar…em português! Apenas um pequeno e gracioso sotaque, mas fala bem e, pasme-se, entende-se! Fala e deixa falar, questionar. Responde. Interpela. Apresenta as suas obras, “como filhos adolescentes”, a quem “deixa voar” e ganhar vida própria! E bebe, bebe muita água. Está constipado, mas mesmo assim, entre nós. Entre nós, lusitanos, há vinte e três anos!

Perguntamo-nos, e perguntamos-lhe: porquê Portugal, porquê o Porto, porquê um país pequeno, porquê a nossa história?

E ouvimos a resposta mais improvável …( “E ouve um silêncio múrmuro consigo:”) – é o amor ao país, à língua, às gentes!

Zimler é mais, muito mais do que se poderia esperar – é alguém que está aí para nos ajudar a construir “um novo império”, o da divulgação da nossa língua e da nossa cultura. É mais um português universal. Mj

 


Depoimentos:

“Richard Zimler é o nome do escritor que nos visitou e se apresentou. Apresentou também, entre outros, o livro Ilha Teresa, o qual despertou grande interesse e motivou os alunos para a sua leitura, porque relata a sua experiência de imigrante “ao contrário”.

Admiramos a coragem perante os obstáculos encontrados na sua vida. Achamo-lo bastante espontâneo e divertido. Um escritor sem preconceitos. Um escritor que procurou descobrir a história do nosso país.

 

O 12.º G, Curso Técnico Profissional de Apoio Psicossocial, agradece a sua presença na escola ESVV” (texto sujeito a alterações)


 

Original e único:

"A exposição de Richard Zimler sobre as suas obras acabou por ser uma experiência marcante do ponto de vista cultural, já que o autor teve o cuidado e a atenção de apresentar sucintamente as experiências que o levaram a escrever as suas obras brilhantes.

Richard Zimler conseguiu transportar os interlocutores para o seu mundo, para os problemas da sociedade e permitiu um recuo exemplar na História, levando a plateia até ao clima da Segunda Guerra Mundial, algo que para nós, alunos de humanidades, é genial.

A genialidade do autor cativou, de modo geral, os alunos que conseguiram ficar a perceber um pouco mais a forma como este escritor executa as suas obras.

Concluindo, a exposição de Zimler serviu para expandir os horizontes das mentes daqueles que o escutaram. Agradecemos à biblioteca escolar e à direção da ESVV por nos ter proporcionado este momento."

Sérgio Neto, 12.º F

 

 
 

 

 
 


 

O escritor Richard Zimler visitou a Escola Secundária de Vila Verde

No dia cinco, o escritor Richard Zimler deu-nos a honra de vir falar dos seus livros.
Uma honra, aliás, muito disputada, pois já no ano passado o escritor dissera publicamente na Escola Secundária de Amares - onde o fomos ver como as "groupies" que somos (a Margarida também já tinha ido à Biblioteca Pública de Braga) - evitar estas deslocações, porque lhe tiravam tempo para escrever. Compreendemos as razões invocadas... mas ficámos felizes por contar com a sua presença, num auditório a abarrotar de alunos e professores interessados. De tal maneira que as perguntas jorraram em catadupa.
 Foi muito engraçado constatar o interesse tanto pela obra, como pelo homem, tanto pela nacionalidade e vivência americanas, como pela ascendência centro-europeia. Richard Zimler encantou-nos com a sua desenvoltura e fluência e marcou-nos com os valores humanistas que evocou.
 

Dia da escola

Hoje a escola encheu-se de actividades.
 
 
Eu, como não tenho o dom da ubiquidade, fiquei-me logo ali pela Biblioteca, a relembrar - e a aprender coisas que não sabia. O grupo de História tinha organizado uma sessão, apresentada pela Ana Margarida Dias (a Margarida não é apenas bibliotecária, nem somente professora de História, nem sequer se limita a ser uma pessoa culta: a Margarida é também uma grande viajante) e engendrada, pareceu-me, num feliz conluio com a Arminda Fernandes e com a Ana Cristina Oliveira.
 

Vejam lá com o que elas se saíram: uma apresentação da vida de Van Gogh na Provença (baseada no catálogo Cores e pintores na Provença 1875-1920 e no sítio http://www.arlestourisme.com/le-19eme-et-van-gogh.html) Seguiu-se o visionamento de um "Sonho de Akira Kurosawa", em que Martin Scorsese encarna o pintor holandês (confesso que, até hoje, desconhecia em absoluto esta obra do mestre japonês, disponível para requisição na Biblioteca)  e uma apresentação, por duas jovens do VerdEmcena, de um excerto de A arte de viajar de Alain de Botton (livro passível de empréstimo domiciliário). Uma feliz conjugação, em que, frequentemente, as alusões do filósofo suíço eram ilustradas na tela de Van Gogh/Kurosawa. E por último, como não podia deixar de ser, assistiu-se ao filme "Van Gogh", de Maurice Pialat.
 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Dar corda ao relógio: como e porque dormimos?"

No âmbito da iniciativa conjunta entre o Plano nacional de leitura e o centro de Electroencefalografia Clínica, "DORMIR + para LER MELHOR" - que cá na escola adoptou a designação mais prosaica "Ler & chonar" -, tivemos ontem o privilégio de ouvir a Doutora Elisa Lopes, que nos apresentou a palestra "Dar corda ao relógio: como e porque dormimos?"
 
 

A apresentação, que decorreu no auditório da ESVV, foi irrepreensível tanto do ponto de vista científico, como do ponto de vista comunicacional. Com efeito, a palestrante, médica psiquiatra com uma pós-graduação em distúrbios do sono, fez uma apresentação geral do tema claríssima, que culminou na apresentação dos dados de uma investigação que levou a cabo entre os estudantes da Universidade do Minho (corroborados aliás por outras investigações). Achei muito curiosa, e louvável, a apresentação, no próprio dispositivo de apresentação, de cabeçalhos de artigos de outros investigadores dedicados ao mesmo tema.

Já solicitei (e prometi que as inserirei aqui mesmo, logo que as obtenha) as dez regras de ouro para um sono de qualidade, tanto mais importantes quanto elas afectam o crescimento, o rendimento escolar e o humor de crianças, jovens e adultos.


Embora se trate de um tema transversal (e a prova foi a quantidade de professores que, fora do seu horário e não acompanhando turmas, assistiu à palestra) que a todos interessa, este projecto - liderado pelas professoras Ana Paula Faria de Matos e Beatriz Santos - visa essencialmente alunos e encarregados de educação.

E a verdade é que foram muitas as questões que suscitaram a curiosidade dos participantes, tendo Elisa Lopes respondido a perguntas interessadas - e interessantes -, versando temas tão diversos como o bruxismo (isso mesmo, o bruxismo), o sonambulismo ou a síndroma das pernas inquietas. Quanto à insónia, cujas causas e efeitos foram dilucidados, sopesou-se se é preferível tomar ansiolíticos em caso de persistência - e durante quanto tempo.

Por último, importa realçar que Elisa Lopes "dominou" uma plateia heterogénea, atenta tanto aos exemplos que mais directamente lhe diziam respeito, como aos dados científicos que os sustentam. Que solicitou - e obteve, o que é bem mais difícil - a atenção do público e respondeu com clareza e correcção às inúmeras perguntas.

O "ler & chonar" teve um início bem auspicioso.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A comunidade de leitores foi ao Centro Hospitalar Psiquiátrico do Conde de Ferreira...

... e, mau grado termos regressado um pouco impressionadas, gostámos muito. O pretexto, como sabem, era a leitura do "Alienista" de Machado de Assis. Mas a visita revelou-se um achado a vários níveis: arquitectónico, histórico, literário, científico, humano...
 

Cada uma de nós encontrou um (ou mais) ponto de interesse. Todas nos confrontámos com as nossas ideias pré-concebidas acerca da doença mental e dos seus tratamentos (quem não se lembra de "Voando sobre um ninho de cucos"?).

Admirámo-nos (talvez nos tenha vindo à mente a palavra "expiação") com o facto de o Conde de Ferreira ter ganho a sua fortuna com o tráfico de escravos. Relembrámos o poeta Ângelo de Lima (e ficámos a saber que foi a doença que lhe inspirou tantos neologismos, de entre os quais emerge a palavra "cintilar"). Espantámo-nos com o caso de Maria Adelaide Coelho da Cunha, internada por motivos totalmente alheios à loucura. Arrepiámo-nos com a lobotomia que Egas Moniz fez ao seu amigo Raul Proença. Lamentámos a riqueza das publicações adquiridas ao longo de centenas de anos, e com o facto de a sua aquisição estar agora, por razões orçamentais, suspensa. Vimos camisas de forças, observámos os planos de banheiras especiais e, sobretudo, tivemos pena do panóptico maior, arrasado para dar lugar à Via de cintura Interna. Arrepiámo-nos com o panóptico pequeno e com as suas implicações. As fotografias de alguns internados interpelaram-nos de uma forma inexplicável...
 
E fizemos um exercício de relatividade histórica: quantas das nossas prática actuais não serão, no futuro, consideradas bárbaras?

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A Comunidade de Leitores vai de passeio

 


Amanhã a comunidade de leitores da Escola Secundária de Vila Verde, que leu em suporte digital «O Alienista», do escritor brasileiro Machado de Assis, vai visitar a parte museológica do  Centro hospitalar do Conde de Ferreira.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O que é um alienista?

Trata-se da designação por que primeiro foram conhecidos os psiquiatras.

"O alienista" de Machado de Assis

Perguntar-se-ão a que propósito transcrevi textos acerca do conceito de panóptico. Embora seja algo que, por si mesmo, me interessa, neste caso tenho uma intenção mais prática: é que foi este o livro que a Ana Paula Matos sugeriu para a  Comunidade de leitores deste mês.

Com esta escolha, para além de podermos ler ou reler uma obra não muito longa (mas muito interessante do ponto de vista literário), temos a oportunidade de "iniciar" o nosso público leitor num suporte de leitura diferente: o digital. Assim, bastará clicar em http://virtualbooks.terra.com.br/freebook/port/download/O%20Alienista.pdf para aceder à obra de um grande, grande escritor de língua portuguesa e nacionalidade brasileira.

O panóptico do centro hospitalar do conde de Ferreira

 
 
O conceito (literal e metafórico) de panóptico é crucial nos tempos em que vivemos. Deixo-vos o texto, escrito em português do Brasil, da Wikipédia http://pt.wikipedia.org/wiki/Pan%C3%B3ptico 
 
« No final do Séc. XVIII o filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham concebeu pela primeira vez a ideia do panóptico. Para isto Bentham estudou “racionalmente”, em suas próprias palavras, o sistema penitenciário. Criou então um projeto de prisão circular, onde um observador poderia ver todos os locais onde houvesse presos. Eis o Panóptico.
Ele também observou que este mesmo projeto de prisão poderia ser utilizado em escolas e no trabalho, como meio de tornar mais eficiente o funcionamento daqueles locais.
Foi naquele período da história que, segundo o francês Michel Foucault, iniciou-se um processo de disseminação sistemática de dispositivos disciplinares, a exemplo do panóptico. Um conjunto de dispositivos que permitiria uma vigilância e um controle social cada vez mais eficientes, porém, não necessariamente com os mesmos objetivos “racionais” desejados por Bentham e muitos de seus antecessores e contemporâneos.
Dos anos 60, do Séc. XX, quando Foucault escreveu suas primeiras obras, até o início do Séc. XXI, novas tecnologias de comunicação e informação surgiram, permitindo novas formas de vigilância que por vezes se tornam tão dissimuladas que não são facilmente percebidas pelos indivíduos. Tornam-se também naturalizadas, não deixando claros todos os objetivos de quem se utiliza daquelas novas técnicas de vigilância.
Nestes novos tempos a vigilância também vem adquirir uma nova característica. A possibilidade de observação de todos sobre todos. Hoje é possível ao patrão ler mensagens de correio eletrônico de seu empregado, mas também existe a possibilidade de colegas lerem mensagens de colegas, maridos de esposas, pais de filhos, a partir de ferramentas gratuitas disponíveis na Internet, por exemplo.
Empresas conseguem, a partir de celulares, monitorar o local onde se encontram seus empregados. Governos e crackers podem, com o instrumental adequado, ter as informações bancárias de qualquer cidadão, a partir de banco de dados individuais (como aqueles referentes a antiga CPMF, por exemplo) e câmeras digitais vigiam cada metro quadrado de aeroportos.
O panóptico se disseminou. E como afirmou enfaticamente em meados dos anos 90 outro filósofo francês, Gilles Deleuze, isso gerou a criação de uma Sociedade de Controle.»

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"Bartleby" de Herman Melville

 
O livro da comunidade de leitores de hoje é um texto breve, para uma comunidade diminuta, cuja duração se prevê curta. E está muito bem, dado que se trata do famosíssimo, enigmatíssimo (?) e influentíssimo
 
Bartleby é o nome de um escrivão, ou copista, cuja frase emblemática constitui uma espécie de graça privada para iniciados: «Preferia não o fazer.». De um ponto de vista literal, podíamos encontrar nesta novela um daqueles funcionários que, obedecendo escrupulosamente aos  constrangimentos exteriores do seu trabalho (cumprir horários, por exemplo), na verdade não cumprem o seu conteúdo funcional. Lembro-me sempre com irritação daquelas mensagens electrónicas enviadas por organismos públicos ao fim-de-semana, ou de madrugada...
 
Mas é a redução ao absurdo, a apatia, a abulia de Bartleby que tornou este livro tão conhecido. Até é natural que em 1853 - data em que foi publicado - a novela tenha deixado o público norteamericano indiferente. No entanto, além de ser um espécie de precursor de Kafka, esta obra de Herman Melville (também autor da ainda mais famosa Moby Dick), influenciou directamente outros escritores: o primeiro livro de Henrique Vila-Matas que li, e que me deixou fascinada (um livro sobre livros, haverá melhor?): Bartleby & companhia,
 
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o protagonista de A vida modo de usar, de Georges Perec (um dos livros da minha vida): Bartlebooth.

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Mas não só: há,  na obra de Perec, outras personagens cujas obsessões fazem lembrar grandemente o copista melancólico.

Porque Bartleby, mais do que um copista, fora um leitor de cartas extraviadas e, por isso, destinadas à destruição (assim como em La vie mode d'emploi há uma personagem cujo labor consiste em salvar palavras eliminadas dos dicionários): palavras nunca lidas pelos seus destinatários.

Haverá pior destino do que conviver com todos esses restos de vidas desperdiçadas?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A nossa comunidade de leitores: felicidade em dose mensal

 

O livro que vamos ler na "Comunidade de leitores" é Felicidade, de Will Ferguson. A Isabel Costa emprestou-mo no Verão passado e gostei muito, tanto por se tratar de um livro muito engraçado, como por desmontar muita da parafernália new age, auto-ajuda, "chá-lá-lá" (como diz a minha irmã). Em tempos de crise, é útil e premente analisar estes mecanismos, que constituem perigos reais para pessoas crédulas. Fazê-lo divertindo-nos é ainda melhor.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Woody Allen e os sindicatos

 


O filme "Para Roma, com amor" não é isento de defeitos, mas (ou e?) tem belíssimas imagens e óptimos "gags". Achei engraçada uma frase de uma personagem, um jovem italiano que afirmava com veemência o que eu penso: "Se não fossem os sindicatos, os trabalhadores seriam reduzidos a pó."...